blow-up

blow-up - movieEstréia de Herbie Hancock como compositor de cinema, ‘Blow-Up’ foi beneficiado pelo fato do diretor italiano ser um apaixonado pelo jazz. Consequentemente, Hancock foi capaz de recrutar um elenco de grandes nomes do jazz para ajudá-lo: os trompetistas Freddie Hubbard e Joe Newman, o saxofonista tenor Joe Henderson, Phil Woods no saxofone alto, o guitarrista Jim Hall, o contrabaixista Ron Carter, o pianista Paul Griffin e o baterista Jack DeJohnette. E com o grupo ‘Yardbirds’ de Jeff Beck e Jimmy Page, rendeu uma trilha sonora tão intrigante quanto o filme, um cult que capta através dos olhos de um fotógrafo de moda o sabor do ‘Swinging London’, termo usado para descrever a efervescência cultural e o modernismo de costumes da cidade de Londres, e dali para o mundo, durante a segunda metade dos anos 1960. Uma época em que a Inglaterra, com seu centro nervoso londrino, lançou ao mundo os mais importantes nomes da música, cinema, artes plásticas e teatrais, moda e comportamento. Os ‘Beatles’ o seu fenômeno maior, seguidos pelos ‘Rolling Stones’, ‘The Who’, ‘The Kinks’, o surgimento do 'Pink Floyd', e cantoras como Lulu, que de lá ganharam os EUA e o mundo, no que ficou conhecido como a 'British Invasion'.

Michelangelo Antonioni O cineasta italiano Michelangelo Antonioni criou o personagem principal desta que foi mais uma de suas obras-primas baseada nos famosos fotógrafos britânicos David Bailey e Terence Donovan que com Brian Duffy, capturaram imagens, e de muitas maneiras ajudaram a criar a Swinging London na moda: uma cultura de alta moda e chic. Juntos, eles foram os primeiros fotógrafos de celebridades reais. Tanto o filme, quanto o álbum da trilha sonora foram gravados em 1966. O filme transformou-se em cult e o álbum que contém músicas raras de Hancock ficou esquecido por anos. Um álbum eclético com elementos de rock psicodélico, jazz, post-bop, free jazz e o pré jazz-rock. Um grande álbum para os fãs de Hancock e da atmosfera não-convencional do final dos anos 60.

Herbie Hancock Na primeira exibição, há muitos anos, eu achei ‘Blow Up’ uma chatice. Assistido pela segunda vez, muitos anos depois, o filme transcende a sua década. O caos dos anos sessenta, as grandes mudanças que se aproximavam e a rebelião da juventude à procura de um novo sentido. Michelangelo Antonioni era um ícone muito antes de começar sua estréia no idioma inglês com ‘Blow-Up’. Como jornalista de cinema e ex-documentarista, já havia criado uma série de filmes em sua Itália natal, que tratavam de temas como o tédio da classe média, a alienação social e a desumanização. E quando ‘Blow-Up’ alcançou a costa americana o sucesso comercial foi quase imediato por suas representações de sexo casual, casamento aberto, o flagrante uso de drogas e nudez explícita. É óbvio que o escândalo moral atraiu o público, mas também foi apresentado durante uma época significativa na história sócio-cultural norte-americana, na fase final da 'invasão britânica' e da popularização do movimento da contra-cultura norte-americana. E Antonioni foi celebrado como extremamente influente nas gerações futuras de cineastas, e foi repetido por Francis Ford Coppola, em ‘The Conversation’ (1974) e por Brian De Palma em ‘Blow Out’ (1981).

'Blow-up'é estrelado por David Hemmings como Thomas, um fotógrafo de moda materialista, entediado e impetuoso que não consegue se comunicar, se relacionar com pessoas e separar o real do imaginário devido ao seu hábito a um meio de comunicação representado apenas por imagens. Thomas apenas anseia expandir a sua conta bancária e suas posses. Para ele, a riqueza equivale à liberdade e não consegue entender aqueles que não compartilham com os seus apetites. E suas decisões são apressadas e controversas. Ele quer comprar uma loja de antiguidades enquanto a decoração de onde mora desmente o seu interesse por relíquias históricas. Ele está em constante movimento, de um lugar para outro, de uma situação para outra, incapaz de interagir e se concentrar em um único evento.

blow-up - Vanessa Redgrave | David Hemmings Vanessa Redgrave | David Hemmings

Em uma tarde ele decide dar um passeio em um parque assustadoramente vazio onde observa um casal vagando à distância e decide tirar algumas fotos aleatórias para as páginas finais do seu último livro. E é perseguido por Jane (Vanessa Redgrave), que pede para ele devolver o rolo de filme, o que ele faz, dando-lhe um vazio. No laboratório ao examinar as fotos da misteriosa mulher em flerte com o amante ele encontra evidências de um assassinato, que mais tarde confirma ao encontrar o cadáver no parque. Depois as fotografias são roubadas e o cadáver desaparece. Através da investigação de Thomas, o cineasta faz uma outra leitura do ‘Swinging London’ e rejeita a sua imagem colorida mostrando algo mais escuro e menos florido com criaturas egoístas, superficiais e materialistas. A Londres de Antonioni é cruel e decadente. Os restos sobreviventes da segunda guerra mundial convivem ao lado de arranha-céus frios e geométricos por onde Thomas dirigi o seu lustroso conversível Rolls Royce enquanto observa pessoas cansadas geradas pelo pós-guerra em contraste com os jovens entediados como ele.

No momento, as fotografias do parque são a sua única interação real com a realidade. Mas também é fugaz. Ao final do filme Thomas não se preocupa mais com elas, assim como não se lembra de seus desejos momentâneos como possuir uma pintura que viu, ou de comprar a loja de antiguidades ou do braço quebrado da guitarra que recuperou de um concerto dos ‘Yardbirds’. As fotografias de Thomas retratam uma realidade encenada, seja através de modelos posando em trajes da moda ou das pessoas pós-guerra do lado decadente de Londres. A misoginia também é claramente atribuída a ele. Violento e superficial em suas atitudes agressivas em relação às mulheres, que ele vê como objetos e brinquedos sexuais. ‘Blow-Up’ é notável por sua interpretação da realidade e da ilusão.

blow-upA modelo está no chão. O dialogo entre ela e o fotógrafo é curto e ríspido. Após ele arrumar a roupa e analisar a modelo, Thomas pede a seu assistente que coloque alguma música. A música é jazz. Sensual. Ordena como ela deve se comportar e começa então a tirar fotos. Cada vez mais excitado se aproxima e acaricia o seu corpo. Pede então uma câmera com capacidade de uma aproximação melhor entre eles e ajoelha-se sobre ela. A câmera, como único meio de união entre os dois, dispara a todo momento. Seus corpos movimentam-se juntos. O clímax é inquestionável. A cena uma metáfora de uma relação sexual mediada por uma câmera fotográfica.

blow-up (1966)

Blow-Up (1966)

Tracklist
01. Herbie Hancock - Main Title (Blow-Up)
02. Herbie Hancock - Verushka (Part 1)
03. Herbie Hancock - Verushka (Part 2)
04. Herbie Hancock - The Naked Camera
05. Herbie Hancock - Bring Down the Birds
06. Herbie Hancock - Jane's Theme
07. The Yardbirds - Stroll On
08. Herbie Hancock - The Thief
09. Herbie Hancock - The Kiss
10. Herbie Hancock - Curiosity
11. Herbie Hancock - Thomas Studies Photos
12. Herbie Hancock - The Bed
13. Herbie Hancock - End Title Blow-Up
14. Tomorrow - Am I Glad to See You
15. Tomorrow - Blow-Up






publicado por mara* às 06:12 | link do post | comentar