pixinguinha

pixinguinha

O compositor e arranjador Alfredo da Rocha Vianna, nascido em 1897, além de ser um virtuose como instrumentista, é considerado um dos fundadores da música moderna brasileira. Desde cedo, a música foi sua companheira. Quase todos da sua família eram musicistas, o pai era flautista, Henrique e Léo, dois irmãos, o ensinaram a tocar cavaquinho. Isso o levou a acompanhar o pai em bailes e eventos. Com 11 anos compôs em uma flautinha sua primeira peça, um choro. Tocando em festas e quermesses o garoto causava admiração. Foi então presenteado com uma flauta importada pelo orgulhoso pai. Aos 14 anos seu irmão Otávio, levou-o para tocar nos bares da Lapa, no Rio de Janeiro. Os boêmios ficaram encantados com a técnica do garoto. Sua fama crescia com ele. Certo dia, enquanto empinava pipa, recebeu um convite para substituir o flautista na Banda do Corpo de Bombeiros. Ele não perdeu a oportunidade e seu talento brilhou com intensidade.

Em 1919, o cinema era uma grande atração e havia no Rio de Janeiro, então capital federal, um elegante cinema chamado ‘Palais’ onde o público aguardava o início do filme ouvindo música. Pixinguinha e mais sete companheiros foram contratados para se apresentarem. Seriam conhecidos como os ‘Oito Batutas’, ele na flauta. A notoriedade ganhou amplitude e o grupo foi convidado a fazer excursões pelo país. E o preconceito se fez presente quando o grupo, em 1922, foi representar o Brasil em Paris. Os racistas esbravejaram com o fato do Brasil ser representado por um ‘bando de negros’. Pixinguinha foi aclamado pelo seu virtuosismo na flauta. Nessa excursão ele teve um maior contato com o saxofone, um símbolo das ‘jazz-bands’. Neste mesmo ano é lançada a composição ‘Carinhoso’, talvez a mais conhecida de Pixinguinha.

benedito lacerda e pixinguinhaOs anos 40 foram duros para Pixinguinha, o mundo entrou em guerra, sua esposa adoeceu, o orçamento era escasso, e para complicar havia o vício da bebida. Em 1946 ele trocou a flauta pelo saxofone e uniu-se a Benedito Lacerda, exímio flautista e líder de um grupo que gerava lucro. Gravaram juntos 34 discos até o ano de 1950. Nos anos 50 gêneros como o bolero e o samba-canção foram ganhando terreno e a música de Pixinga e de Lacerda, perderam adeptos. Durante os anos 60, com o rock, a bossa nova, a Jovem Guarda e a Tropicália o ambiente ficou difícil para o trabalho do elegante Pixinguinha e seus mais de 50 anos de contribuições à música popular brasileira, empurrando-o para a aposentadoria. Apesar disso, em 1967, chegou a participar do II Festival Internacional da Canção com a música ‘Fala Baixinho’ interpretada por Ademilde Fonseca, classificando-se em 5ª posição. Em 1971 ele faz a gravação derradeira, o projeto ‘Som Pixinguinha’ de Hermínio Belo de Carvalho. No mesmo ano foi escolhido paraninfo da primeira turma de músicos da Universidade de Brasília. Em 1973, em pleno carnaval, o seu coração parou.

pixinguinhaÉ muito difícil pensar em Pixinguinha de outra forma senão como gênio. A genialidade de Pixinguinha é reconhecida até por jovens roqueiros. Os gênios, afinal, são eternos. Em qual de suas atividades ele foi mais importante? Como maestro teve papel importantíssimo na música popular brasileira, nunca ergueu a voz, com gestos suaves e olhares, ele conseguia fazer com que aqueles sob sua batuta jamais emitissem uma nota fora de lugar. Como arranjador foi um mestre e um dos primeiros do Brasil. Ele e Radamés Gnattali eram os melhores arranjadores brasileiros da década de 30. O flautista Pixinguinha, citando Orestes Barbosa, era um ‘Pan negro entre ninfas assustadas’. Soprando sua flauta mágica encantava homens e mulheres que iam ouvi-lo nos cinemas e teatros onde tocava. Infelizmente, tudo o que sobrou da sua flauta está em velhos discos de 78 rotações por minuto, gravados em estúdios precários e microfones idem. Pixinguinha está entre os quatro maiores flautistas da música popular brasileira, os outros são Patápio Silva, Benedito Lacerda e Altamiro Carrilho.

Até hoje é um mistério os motivos que o levaram a aposentar a flauta, um instrumento de que gostava tanto e que tocava com magia de um Pan. Há muitas versões sobre a troca da flauta pelo sax, uma delas foi o abuso do álcool que tornou suas mãos trêmulas que o impediam de ter a mesma agilidade de antes. Uma outra versão tem Benedito Lacerda como vilão. Como Pixinquinha não conseguia mais nem gravar, Benedito Lacerda, - flautista, regente e compositor - lhe propôs parceria, mas com uma condição: que Pixinguinha nunca mais tocasse sua flauta. Benedito nunca escondeu a inveja do flautista Pixinguinha, que graças a ele, Benedito continuava sendo sempre o segundo melhor do Brasil e não o primeiro. Nos discos gravados, os solos de flauta de Benedito Lacerda são soberbos, mas o brilho dos solos do sax coadjuvante de Pixinguinha, Benedito Lacerda não conseguiu ofuscar. Por fim o compositor Pixinguinha, o mais genial de todos. Dizem que ele não sabia explicar como conseguia criar suas obras-primas. Falava delas como ‘coisinhas simples’, sem importância. Era sincero na modéstia. Era um gênio.

pixinguinha - ingênuo


‘Pixinguinha 70’, álbum lançado em homenagem ao aniversário de 70 anos de Pixinguinha. Foi gravado por Jacob do Bandolim; Radames Gnattali; ‘Conjunto Epoca de Ouro’ (Jacob do Bandolim no bandolim, Dino 7 Cordas no violão 7 cordas. Cesar Faria e Carlos Leite no violão, Jonas no cavaquinho, Gilberto na percussão); ‘Os Boêmios’ (Homero Gelmim no violino, Sandoval Dias no tenor sax, Eugenio Martins na flauta, Gabriel Henriques no baixo, Carlos Lentini e Artur Duarte no violão, Waldemar Melo no cavaquinho, Cabore na percussão); Trio de Flautas do Teatro Municipal (Carlos Rato, Eugenio Martins, Maria do Carmo); Orquestra do Teatro Municipal dirigida por Radames Gnattali

pixinguinha 70 anos (1968)

Pixinguinha 70 (1968)

Tracklist
01. Carinhoso 02. Uma Rosa para o Pixinguinha 03. Vou pra Casa 04. Os Cinco Companheiros 05. Lamento 06. Ingenuo 07. Passatempo 08. Gargalhada 09. Rosa 10. Marreco quer Agua 11. Pixinguinha

Este álbum faz o resgate da parceria antológica entre Benedito Lacerda e Pixinguinha, dois gênios de um dos gêneros musicais brasileiros mais reconhecidos em todo o mundo: o choro, popularmente chamado de chorinho, é um gênero musical, uma música popular e instrumental brasileira, com mais de 130 anos de existência. Os conjuntos que o executam são chamados de regionais e os músicos, compositores ou instrumentistas, são chamados de chorões. Surgiu provavelmente em meados de 1870, no Rio de Janeiro. O dia internacional do choro é dia 23 de Abril, dia do nascimento do Pixinguinha. O álbum é um apanhado de gravações de Benedito Lacerda e de Pixinguinha de 1948 até 1950.

benedito lacerda e pixinguinha (1966)

Benedito Lacerda e Pixinguinha (1966)

Tracklist
01. André de Sapato Novo 02. Atraente 03. 1 X 0 04. Ainda Me Recordo 05. O Gato e o Canário 06. Naquele Tempo 07. Língua de Preto 08. Vou Vivendo 09. Devagar e Sempre 10. Displicente 11. Sofres Porque Queres 12. Soluços

‘Agô Pixinguinha’ é um projeto artístico do compositor, escritor e produtor Hermínio Bello de Carvalho. O lançamento foi uma justa homenagem a Pixinguinha. Nos dois CDs, grandes nomes reverenciam o mestre do chorinho no aniversário do seu centenário.

agô pixinguinha 100 anos (2004)

Agô - Pixinguinha 100 Anos (2004)
CD 1  CD 2

Tracklist CD 1: Sambando, Chorando
01. Carinhoso - Nana Caymmi
02. Mundo Melhor - Alcione
03. Rosa - Caetano Veloso
04. Lamentos - Chico Buarque, MPB-4
05. Fala Baixinho - Maria Bethânia
06. Cochichando - Zezé Gonzaga, Eduardo Dusek
07. Gavião Calçudo - Zeca Pagodinho
08. 1 X 0 (um a Zero) - Arranco de Varsóvia
09. Vou Vivendo - Cristina Buarque, Sérgio Ricardo
10. De Mal pra Pior - Paulinho da Viola
11. Página de Dor - Ney Matogrosso
12. Benguelê/yaô - João Bosco
13. Ingênuo - Simone, Baden Powell
14. Patrão, Prenda Seu Gado (com Depoimento de Pixinguinha) - Grupo Fundo de Quintal

Tracklist CD 2: Tocando, Tocando
01. Carinhoso - Tom Jobim
02. Rosa - Hermeto Pascoal
03. Tapa Buraco - R.Gnattali & Camerata Carioca
04. 1 X 0 (um a Zero) - Paulo Moura, Raphael Rabello
05. Ingênuo - Radamés Gnattali,Seu Sexteto
06. Naquele Tempo (ao Vivo) - Baden Powell
07. Marreco Quer Água - Camerata Carioca
08. Pula Sapo - Pixinguinha
09. Urubatan - Pixinguinha
10. O Gato e o Canário - Água de Moringa
11. Samba do Urubú - Pixinguinha
12. Lamentos - Conjunto Época De Ouro, Jacob Do Bandolim
13. Proezas de Solón - Conjunto Época De Ouro, Jacob Do Bandolim
14. Sofres Porque Queres - Conjunto Época De Ouro, Jacob Do Bandolim
15. Carinhoso - Orquestra Radamés Gnatalli

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publicado por mara* às 10:48 | link do post | comentar