baby doll

 baby dollOs anúncios e cartazes apresentavam uma jovem sensual deitada em um berço em uma pose sugestiva e chupando o dedo. Altamente controverso e sem um único momento de nudez quando lançado em 1956 foi condenado por numerosas organizações religiosas como moralmente repulsivo e provocador. Apesar de não ser tão explícito quanto sugeria entrou como maldito para a lista da ‘Legião da Decência Católica’ que tentou proibir o filme. O cardeal de Nova York na época declarou ser o filme uma imoral e corruptora influência sobre aqueles que o vêem e muitos teatros foram forçados a cancelar as exibições. ‘Baby Doll’ parece não valer o alvoroço quando visto hoje. Perdeu o poder de escandalizar, mas mesmo com o tempo a entorpecer o seu impacto o filme ainda é um poderoso estudo do erotismo, da luxúria, da repressão sexual, da hipocrisia e do desejo. E ainda mantém uma forte sensualidade.

‘Baby Doll’ dirigido por Elia Kazan e escrito por Tennessee Williams é um retrato sombrio e espirituoso da paixão em uma pequena cidade ensolarada e cheia de sexualidade reprimida. O filme traz um legado único com a sua reputação lasciva e narração provocante de Tennessee Williams. Certamente ingênuo para a audiência de hoje, mas encantador pelos bons desempenhos e valioso pela importância histórica. O roteiro contém algumas insinuações e os diálogos são maravilhosos, bem como as imagens. O surpreendente é que é uma comédia de humor negro, ao invés de um esperado melodrama ou uma tragédia.

A heroína, a sensual ‘Baby Doll’ Meighan (Carroll Baker) de 19 anos, é uma virgem que se recusa a dormir com o marido Archie Lee (Karl Malden), até que atinja a idade de 20 anos. O apelido Baby Doll ela faz por merecer, ainda dorme no berço, vestindo camisolas infantis e chupa o dedo, enquanto Archie a espia através de um buraco na parede de sua decrépita mansão na sua fazenda de algodão quase falida. Sob a condição de não consumar o relacionamento até o vigésimo aniversário da esposa, o contrato ele tem mantido a despeito do seu enorme desejo. Como o grande dia se aproxima, as tensões se elevam na mansão estéril de móveis onde o casal vive. E quando o empresário bem sucedido e viril Silva Vaccaro (Eli Wallach) entra em cena, as emoções explodem em erupção e a tensão sexual é magistral. O calor gerado entre Baby Doll e Vaccaro é palpável e a atração sexual funciona gradualmente e é captada com maestria por Elia Kazan assim como a insensatez absoluta de todos os envolvidos, e em troca o diretor recebe algumas performances impressionantes de seu elenco. Carroll Baker no papel de ninfeta de tentações sedutoras é surpreendente até nos simples olhares. Karl Malden interpreta bem a angústia e o sofrimento carnal do marido e Eli Wallach é excepcional como o sedutor vingativo. A jovem atriz Carroll Baker recebeu a bem merecida indicação ao Oscar de melhor atriz e o filme recebeu mais três indicações, sem vitórias.

Kenyon HopkinsE o jazz sensual de Kenyon Hopkins acrescenta imensamente para o impacto do filme. Kenyon Hopkins compôs muitas trilhas sonoras de filmes no idioma do jazz. Infelizmente, ele terminou a sua carreira como supervisor musical e morreu na obscuridade. Embora tenha sido injustamente negligenciado ele foi um dos grandes compositores e arranjadores de jazz.

Filho de pais gregos, Elia Kazan foi um notório diretor do teatro da Broadway na década de 1940. Mais tarde desenvolveu também uma bem-sucedida carreira no cinema. Como ex-membro do Partido Comunista dos Estados Unidos, denunciou colegas do antigo partido ao Comitê de Investigações de Atividades Anti-Americanas. Por este motivo deixou de ser aplaudido por Ed Harris, Nick Nolte, Holly Hunter, Ian McKellen e Ed Begley Jr. durante a cerimônia em que recebeu um Oscar honorário pelo conjunto da sua obra. Outros artistas, como Sean Penn (cujo pai foi vítima do macartismo), Richard Dreyfuss e Rod Steiger foram a público declarar sua oposição à decisão da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas. Sobre seu testemunho no Comitê, Orson Welles teria dito: ‘Kazan trocou a alma por uma piscina’. Orson Welles sempre perfeito.

Tennessee Williams and Elia Kazan Tennessee Williams era de descendência galesa e foi um dramaturgo norte-americano que recebeu muitos prêmios de teatro por suas obras e grande parte da sua escrita foi inspirada em sua família problemática. Seu pai, um vendedor de bebida favorecia o irmão por causa da sexualidade de Tennessee e sua mãe sofria de transtorno de ansiedade. O dramaturgo sempre esteve mais perto de sua irmã Rose que foi diagnosticada com esquizofrenia ainda jovem. Depois, como era comum na época, Rose passou a maior parte de sua vida adulta em hospitais psiquiátricos e quando as terapias não tiveram sucesso e ela mostrou tendências paranóicas os pais autorizaram a lobotomia pré-frontal que a incapacitaram para o resto de sua vida. A cirurgia da irmã pode ter contribuído para o alcoolismo de Tennessee e sua dependência de várias combinações de anfetaminas e barbitúricos. Depois de enfrentar dificuldades com sua sexualidade ao longo da sua juventude, Tennessee discutiu abertamente sua homossexualidade na televisão e na imprensa nos anos 70.

Baby Doll
Baby Doll
Baby Doll
Baby Doll
Baby Doll

baby doll and empty house


soundtrack - baby doll (2003)

Baby Doll (2003)
(original soundtrack remastered)

Tracklist
01. Baby Doll and Empty House 02. The Doctor and Archie 03. The Fire and Baby Doll 04. Biblical Justice 05. Ghosts 06. Baby Doll's Fright 07. Lemonade 08. Shame, Shame, Shame 09. The Confession 10. The Cradle 11. Archie's Break-Up 12. Baby Doll's Birthday

publicado por mara* às 11:02 | link do post | comentar