nick drake

nick drakeUm talento singular que passou quase despercebido durante sua breve vida, Nick Drake foi um cantor e compositor britânico de folk-rock. Às vezes comparado a Van Morrison, expoente da chamada celtic soul e ao músico do folk inglês Donovan, Nick Drake com seu vocal sussurrado e melodias fortes, e com a depressão a espreitar o que compunha, tinha uma visão muito mais obscura, com temas perturbadores e melancólicos. Produziu apenas três álbuns, de beleza arrepiante e sombria. Sua vida foi cheia de mistério, mantendo-se em relativa obscuridade durante seus 26 anos de vida, tornando-se a Emily Dickinson de nossos dias, poetisa norte-americana que viveu reclusa a vida toda ou quem sabe a poetisa Sylvia Plath igualmente atormentada. Os anos levaram Nick Drake a um túmulo de depressão, empurrando-o para o vício da maconha e LSD. Parte do seu fracasso foi atribuído a sua relutância quase patológica para se apresentar ao vivo. Esta percepção de incapacidade social gerou até especulações sobre a sua sexualidade.

No entanto, foi em um festival anti-guerra em Cambridge, que o baixista Ashley Hutchings da banda britânica de rock folk ‘Fairport Convention’ viu Drake e o recomendou ao produtor Joe Boyd, famoso por suas produções, que soube desde o início que Nick era algo especial e lhe ofereceu contrato em 1968 com a ‘Island Records’. A estréia de Nick foi em 1969 com o álbum ‘Five Leaves Left’, o primeiro de uma série de três igualmente impressionantes e muito díspares. Com o apoio discreto do baixista Danny Thompson do grupo ‘Pentangle’ e do guitarrista Richard Thompson do ‘Fairport Convention’, Nick Drake criou uma atmosfera misteriosa, melancólica, com letras desesperadas que foram atenuadas e embelezadas pelos arranjos complexos de cordas em estilo barroco do amigo Robert Kirby. ‘Bryter Later’ de 1970 foi talvez o seu esforço mais otimista e com mais influências de jazz. Nick introduziu instrumentos de sopro às melodias e também foi acompanhado por ‘Fairport Convention’, John Cale, membro do ‘Velvet Underground’ e ‘Beach Boys’.

Nenhum dos dois álbuns teve sucesso e Nick, já solitário, mergulhou em grave depressão que muitas vezes o impossibilitou para a música, ou até mesmo para andar e falar. Nick viveu com muita parcimônia, a fonte dos seus rendimentos era de 20 libras esterlinas, enviadas semanalmente pela gravadora. Durante algum tempo viveu tão mal, que não tinha dinheiro para comprar sapatos novos. Os dois anos seguintes foram marcados por crescentes dificuldades psiquiátricas. Muitas vezes ele desaparecia por alguns dias, vagando de um amigo para outro sem dizer uma palavra. Sentava-se, ouvia música, fumava, dormia, e dois ou três dias depois ele desaparecia para voltar três meses depois. Muitas vezes pegava o carro da mãe e dirigia por horas em torno do bairro, sem qualquer rumo, até o combustível acabar. Nos períodos mais difíceis da sua doença, ele não prestava atenção na sua aparência, não cortava as unhas, não tomava banho. Mesmo assim ele conseguiu produzir um trabalho final em 1972, ‘Pink Moon’, um álbum desolado e classificado como uma das declarações mais nuas e tristes da música. Após o lançamento de ‘Pink Moon’, Nick tornou-se mais deprimido e solitário, recusando-se a falar com as pessoas. No mesmo ano, sofreu um colapso nervoso e foi hospitalizado durante semanas em um hospital psiquiátrico e não quis gravar novamente, mas continuar a escrever canções para outros. Em 26 de novembro de 1974, ele morreu em casa de seus pais de uma overdose de medicamentos antidepressivos. O suicídio tem sido especulado, embora alguns de seus familiares e amigos contestem esta versão.

nick drake

Nick Drake nasceu em 1948 na Birmânia, onde seu pai Rodney trabalhava como diplomata. Depois a família mudou-se para Tamworth-in-Arden. Ainda criança, aprendeu a tocar piano, graças à mãe, Molly Drake, pianista, violoncelista, cantora e compositora. De família rica, estudou nos melhores colégios da Inglaterra onde tocava piano na orquestra, e aprendeu clarinete e saxofone, mas logo desenvolveu interesse pelo violão ensinado por um amigo de colégio. Começou a compor com dezenove anos. Sua paixão pela lingüística, o fez estudar literatura inglesa na Universidade de Cambridge. E ler uma grande quantidade de poesias o que fortemente influenciou a sua abordagem lírica. Cada palavra tinha um propósito e ele permitiu que as palavras escorregassem em forma de música e definissem o seu próprio e distinto estilo vocal. Em 1967, conheceu Robert Kirby, estudante de música que orquestraria muitos arranjos de corda para os seus dois primeiros discos. Por este tempo, Drake tinha descoberto o folk inglês e outros compositores.

Enquanto estudava literatura inglesa tocava em clubes locais e cafés de Londres. Muito tímido, sua música era muito individual e diferente de tudo. Com mãos muito grandes e fortes, ele tinha o comando total do violão, usando afinações incomuns que ele inventou para si mesmo. Além da sua elegância, era uma pessoa calma e introvertida. Sensível, magoava-se com facilidade. Não tinha muitos amigos e ninguém sabia o que se passava na sua mente. Costumava ficar muito tempo sozinho, onde aproveitava para melhorar as suas técnicas com a guitarra. Obsessivo na prática tocava até a madrugada, experimentava afinações e compunha. Segundo algumas fontes, o cantor nunca teve um relacionamento amoroso, o que fez com que alguns dos seus amigos suspeitassem de uma possível homossexualidade. Após sua morte, mais pessoas começaram a descobrir a sua música. A primeira biografia de Drake surgiu em 1997, e foi seguido em 1998 pelo documentário ‘A Stranger Among Us’. O nome de Nick Drake, agora, está listado por muitos como um dos artistas mais influentes nos últimos 50 anos.

Da mesma forma que os jovens poetas românticos do século 19 morreram antes do tempo, Nick Drake é reverenciado hoje, e sua música fala diretamente aos roqueiros contemporâneos que compartilham seu sentimento de solidão. Enquanto praticamente esquecido como uma figura importante no movimento folk britânico da década de 60, o relançamento de seus álbuns gerou um novo interesse pela sua carreira, ainda que tantos anos após sua morte. Suas músicas combinam letras impressionantes com arranjos musicais que são simultaneamente acolhedores e assustadores. A falta de sucesso comercial flagelou seu frágil ego, mas sua música continua a viver.

‘Five Leaves Left’, é descrito como melódico e sofisticado com claras referências à música clássica e inspirado no primeiro álbum de Leonard Cohen. Um clima triste e bucólico acompanha clássicos como ‘River Man’, ‘Way To Blue’ e ‘Time Has Told Me’. Em 1993, a revista ‘TIME’ colocou ‘Five Leaves Left’ entre os 100 melhores álbuns de todos os tempos.

‘Bryter Layter’, é um álbum mais comercial do que ‘Five Leaves Left’, numa tentativa de ampliar seu público, sem comprometer a sua música. O álbum aclamado pela crítica, não vendeu bem, e Nick ficou deprimido e fisicamente doente, pela falta de sucesso. ‘Northern Sky’ é uma bela canção de amor.

‘Pink Moon’, é o álbum mais depressivo contando apenas com Nick e seu violão, com exceção da faixa-título, onde acrescentou uma parte de piano. Para a gravação do álbum, Nick chegou, sem aviso prévio, ao escritório da ‘Island Records’ e entregou as fitas para a recepcionista, e desapareceu. O álbum invade um mundo de sonhos privados em que até um murmúrio é indiscreto. ‘Place To Be’ demonstra bem o espírito atormentado de Nick Drake. A canção ‘Pink Moon’, foi usada em um comercial da Volkswagen em 2000 e em um mês Nick Drake vendeu mais álbuns do que em todos os anos anteriores.

Após sua morte foram lançados a compilação ‘Time Of No Reply’ com dez faixas inéditas acompanhadas apenas pela beleza do violão e ‘Way To Blue’.

nick drake - pink moon


nick drake - five leaves left (1969)    nick drake - bryter layter (1970)    nick drake - pink moon (1972)

Five Leaves Left (1969)    |    Bryter Layter (1970)    |    Pink Moon (1972)

Tracklist: Five Leaves Left
01. Time Has Told Me 02. River Man 03. Three Hours 04. Way To Blue 05. Day Is Done 06. ‘Cello Song 07. The Thoughts Of Mary Jane 08. Man In A Shed 09. Fruit Tree 10. Saturday Sun

Tracklist: Bryter Layter
01. Introduction 02. Hazey Jane II 03. At The Chime Of A City Clock 04. One Of These Things First 05. Hazey Jane I 06. Bryter Layter 07. Fly 08. Poor Boy 09. Northern Sky 10. Sunday

Tracklist: Pink Moon
01. Pink Moon 02. Place To Be 03. Road 04. Which Will 05. Horn 06. Things Behind The Sun 07. Know 08. Parasite 09. Free Ride 10. Harvest Breed 11. From The Morning

nick drake - time of no reply (1986)    nick drake - way to blue (1994)    nick drake - made to love magic (2004)

Time Of No Reply (1986)    |    Way To Blue (1994)    |    Made to Love Magic (2004)

Tracklist: Time Of No Reply
01. Time Of No Reply 02. I Was Made To Love Magic 03. Joey 04. Clothes Of Sand 05. Man In A Shed 06. Mayfair 07. Fly 08. The Thoughts Of Mary Jane 09. Been Smoking Too Long 10. Strange Meeting II 11. Rider On The Wheel 12. Black Eyed Dog 13. Hanging On A Star 14. Voice From The Mountain

Tracklist: Way To Blue
01. Cello Song 02. Hazey Jane I 03. Way to Blue 04. Things Behind the Sun 05. River Man 06. Poor Boy 07. Time of No Reply 08. From the Morning 09. One of These Things First 10. Northern Sky 11. Which Will 12. Hazey Jane II 13. Time Has Told Me 14. Pink Moon 15. Black Eyed Dog 16. Fruit Tree

Tracklist: Made to Love Magic
01. Rider On The Wheel 02. Magic 03. River Man 04. Joey 05. Thoughts Of Mary Jane 06. Mayfair 07. Hanging On A Star 08. Three Hours 09. Clothes Of Sand 10. Voices 11. Time Of No Reply 12. Black Eyed Dog 13. Tow The Line

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publicado por mara* às 19:40 | link do post | comentar