the paul butterfield blues band

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paul butterfield blues bandAssim como Paul Whiteman e Benny Goodman, que mudaram para sempre a sensibilidade musical de todos usando estilos de músicos afro-americanos como base para suas próprias músicas e apresentando ao mundo alguns dos maiores artistas da América, que tinham permanecido invisíveis, porque eram negros, Paul Butterfield e seus músicos resgataram o interesse em um gênero musical que tinha sido enterrado pelo preconceito. No entanto, Paul Butterfield, foi praticamente esquecido completamente. A sua banda foi excepcional em muitos aspectos, mas nenhum foi tanto quanto o fato de que era a primeira banda de blues integrado. Os membros brancos vieram de famílias de classe média. Se não tivessem se apaixonado por essa música provavelmente seriam profissionais como seus pais. Em vez disso, deram voz novamente a uma música que tinha sido escondida em uma parte da América, onde poucos brancos se aventuraram. Os membros negros da banda conheciam um pouco mais da vida dos guetos e dos bares de beira de estrada.

A multi-racial banda de Paul Butterfield, ainda menor de idade, com a ajuda dos guitarristas Elvin Bishop e Mike Bloomfield, do baixista Jerome Arnold e do baterista Sam Lay, derrubou as barreiras de longa data que existia no blues entre negros e brancos e trouxe a música para um público totalmente novo, e na maior parte de pele branca. A magia da banda foi encontrada na experiência variada, e na química entre os seus diversos componentes. Paul tinha estudado gaita sob a influência de mestres como Little Walter e James Cotton, Mike havia sido orientado por bluesmen como Magic Sam e Otis Rush. Jerome e Sam foram veteranos da banda de Howlin’ Wolf, enquanto Elvin foi tutelado pelo guitarrista Smokey Smothers, também da banda de Wolf.

paul butterfield blues band

Mike Bloomfield, Paul Butterfield, Sam Lay, Elvin Bishop e Jerome Arnold

Paul Butterfield, filho de advogado, cresceu em Chicago. No colegial, tocava flauta clássica com Walfrid Kujala da Orquestra Sinfônica de Chicago e participou da equipe de atletismo. Através da influência de um irmão mais velho e com a insistência de um amigo, Nick Gravenites, Butterfield encontrou a música que tinha ouvido nas rádios de audiência negra em Chicago. Esta música podia ser ouvida ao vivo apenas no Sul e Oeste, em bares onde os rostos brancos pertenciam apenas a policiais. De alguma forma Butterfield e Gravenites fizeram desta cultura musical a sua própria. Eles aprenderam todas as suas variedades, a partir do slide da guitarra de Elmore James e ao som da banda do grande vocalista de blues e soul, Bobby Blue Bland. Mas, foi um músico especial de blues que capturou a alma e a imaginação de Butterfield, Marion Walter Jacobs, conhecido como Little Walter. Little Walter criou um instrumento novo de blues, a gaita amplificada. Um instrumento barato, inventado na Alemanha no século 19, a gaita foi projetada, principalmente para não tocar a melodia, mas, sim, para tocar acordes. A gaita não era nova no blues, mas o seu som nas mãos de Little Walter, soprada através de um microfone barato conectado a um amplificador de guitarra, era novo. Este som, vindo das entranhas, e amplificado, era uma nova voz, crua e primitiva, e Butterfield o tomou para si mesmo. Ele cantou, também, forte e com uma entrega plena de corpo e alma.

Elvin Bishop foi o guitarrista original da banda. Chegou a Chicago a partir de Tulsa, Oklahoma, para estudar física na Universidade de Chicago com uma bolsa por mérito. Este prêmio foi dado apenas para dois entre os 300 mais talentosos estudantes do ensino médio no país. A permanência de Bishop na Universidade foi extremamente curta, ele deixou os estudos para tocar o blues com Butterfield. Quando foram ao clube ‘Big John’ para um show, convenceram o vocalista e baterista Sam Lay da banda de Howlin’ Wolf a se juntar a eles. Sam Lay é um dos bateristas mais célebres na história do blues, e um pilar desde o final da década de 50. Ele começou sua carreira auspiciosa em 1957, como baterista da ‘Original Thunderbirds’ e logo depois se tornou o baterista da lendária banda de Little Walter. No início dos anos 60 começou a gravar e se apresentar com Willie Dixon, Howlin 'Wolf e Muddy Waters. Jerome Arnold, irmão mais novo do gaitista de renome, Billy Boy Arnold, era o baixista. Sam Lay, Jerome Arnold e Elvin Bishop eram o alicerce inabalável para os solos brilhantes de Paul Butterfield. Pouco tempo depois, Lay ficou doente com pneumonia e pleurisia. Por trás de sua voz profunda ninguém suspeitava de sua frágil saúde, talvez agravada por um ferimento a bala que ele tinha sofrido alguns anos antes. A doença o levou a deixar a banda antes das sessões para o segundo álbum e Billy Davenport assumiu a bateria.

Em 1964 o produtor da ‘Elektra Records’, Paul Rothchild, ouvindo Butterfield reconheceu o seu potencial. Ele queria gravar a banda, mas queria que Paul adicionasse outro guitarrista, Mike Bloomfield. Bishop, o guitarrista regular, não manifestou qualquer objeção. Aos 21 anos, Michael Bloomfield era herdeiro de uma fortuna e ele foi criado livre para se dedicar às suas grandes paixões: a guitarra e o blues. E com Paul Butterfield ele se tornou um dos heróis da guitarra que incluía Jimmi Hendrix, Jeff Beck, Eric Clapton, Carlos Santana, Duane Allan e Alvin Lee. Mike Bloomfield teve a energia de um menino de 10 anos até a sua morte com 30 anos. Quando a imprensa o idolatrava ele era rápido em dizer-lhes que era apenas um simples imitador do mestre BB King.

paul butterfield blues band

'The Paul Butterfield Blues Band' em 'The Newport Folk Festival' (julho - 1965)

O evento que lançou a banda de Butterfield para o estrelato foi o ‘Newport Folk Festival’ de 1965, que neste ano apresentou uma sessão dedicada ao blues. E uma procissão de mestres do blues antigo tocou para uma multidão que ficou emocionada por ver essas figuras históricas da música americana. A banda de Paul ficou esperando em frente a uma parede de amplificadores. A multidão ouviu a música do homem comum, do camponês digno, do menestrel itinerante. O blues era para eles a música de meeiros que colhiam o algodão sob um sol escaldante e eram explorados por ricos fazendeiros brancos. E ninguém tinha caracterizado esse blues tão bem quanto Mississippi John Hurt. De voz suave e pele de pergaminho e olhos tristes, tinha entretido a multidão no início do dia. E agora vinha uma banda de alta potência, racialmente mista e chefiada por um homem branco e mal-humorado.

Os aplausos que se seguiram foram educados, mas a reação da audiência foi rápida quando Paul Butterfield com as mãos em concha começou a tocar a sua gaita. Em sua boca, ela gemia e tremia como a voz humana em sua forma mais primal. Respondendo a ela, as frenéticas guitarras e baixo e a deslumbrante bateria. E todo o tempo Butterfield cantou, não de colheitas ou sobre o amor perdido, mas da vida na selva urbana. A multidão adorou. A multidão foi à loucura. Naquela noite, um outro evento ocorreu que abalou o mundo musical e eclipsou a estréia de Paul Butterfield e sua banda de blues. Foi a estréia do ‘folk rock’, o primeiro dia de Bob Dylan conectado em sua guitarra elétrica. Algumas pessoas zombaram, outros aplaudiram. Era o nascimento do ‘folk rock’ e como resultado à banda de Paul Butterfield é concedido apenas uma nota de rodapé. Através desse festival, desta abertura, veio uma enxurrada de artistas que nunca tinham tocado antes para uma audiência tão grande. Entre eles BB King alguns anos depois, em 1968, foi recebido com ovação. Dois anos antes seu nome era conhecido por apenas alguns milhares de americanos brancos. Agora, ele foi tratado com veneração. Foram Mike Bloomfield e Paul Butterfield, mais do que quaisquer outros, que fizeram isso acontecer.

paul butterfield blues band

De pé, da esquerda, o baixista Jerome Arnold, o guitarrista Mike Bloomfield, o tecladista Mark Naftalin e o guitarrista Elvin Bishop. Sentados, o gaitista Paul Butterfield e o baterista Billy Davenport (1965 ou 1966)

Paul Butterfield e sua banda tornaram-se uma sensação. E era difícil dizer qual dos dois, Bloomfield ou Butterfield, era mais popular. E o primeiro álbum decolou em 1965, intitulado simplesmente ‘The Paul Butterfield Blues Band’ gravado pela ‘Electra Records’. A banda retornou ao estúdio com um novo membro, o tecladista Mark Naftalin, filho de um acadêmico e político de Minneapolis que serviu quatro mandatos como prefeito. Naftalin só queria uma coisa no mundo, tocar blues no piano. Durante seus dias de estudante em Chicago, tocou com Butterfield e Bishop, e por falta de amplificação nunca foi reconhecido, e nunca soube ao certo se Butterfield, naquela época, aprovara a sua forma de tocar ou até mesmo se o notara. No momento do seu segundo álbum, ‘East West’, lançado em 1966, a banda tornou-se conhecida simplesmente como ‘Butterfield Blues Band’, mas grandes mudanças no line-up aconteceram. Cansados das extensas turnês, Davenport e Bloomfield saíram da banda. Arnold também saiu, citando a mudança de direção musical como a causa. Ao invés de substituir Bloomfield, a banda contou apenas com o veterano Bishop e Butterfield moveria a banda para o território do jazz com a adição de uma secção de metais de três peças, incluindo o jovem saxofonista David Sanborn. Elvin Bishop deixaria a banda em 1968 para perseguir uma carreira solo de sucesso que continua até hoje; o tecladista Naftalin seguiria logo depois.

As circunstâncias exatas que levaram Mike Bloomfield à morte não são claras. O que se sabe é que foi encontrado morto de overdose de drogas em seu carro em 1981. Paul Butterfield morreu de peritonite devido ao uso de drogas e alcoolismo em 1987.

paul butterfield blues band - born in chicago


‘An Anthology: The Elektra Years’ é um disco duplo, com 33 canções que oferecem uma visão abrangente de ‘Paul Butterfield Blues Band’ para a etiqueta ‘Elektra Records’. Seus dois primeiros álbuns, ‘Paul Butterfield Blues Band’ e ‘East West’, foram registros seminais, nas fronteiras entre o blues, jazz e rock. Os dois CDs reúnem os melhores momentos da banda e incluem algumas das primeiras gravações da banda para o selo, a maioria das quais se pensou estarem perdidas. Estas sessões, gravadas em 1964, forneceram um modelo para o posterior sucesso da banda. ‘Born In Chicago’ de Nick Gravenites é a pedra angular da banda. O primeiro esforço da banda sem Mike Bloomfield foi o álbum ‘The Resurrection Of Pigboy Crabshaw’ de 1967, representado aqui com a clássica ‘One More Heartache’ de Marvin Gaye e pela sensual ‘Double Trouble’ de Otis Rush. As duas oferecem um sabor irresistível ao álbum. ‘An Anthology: The Elektra Years’ oferece 33 sólidas razões de que ‘Paul Butterfield Blues Band’ foi uma das melhores bandas na história de qualquer gênero, do blues ao rock e com um aceno para o jazz, também. Influentes, muito além dos números medíocres de vendas, a banda rompeu o blues para fora dos clubes da zona sul de Chicago e ajudou a torná-lo um fenômeno mundial. Com incrível habilidade instrumental, imaginação, criatividade e paixão musical ‘Paul Butterfield Blues Band’ foi insuperável. Para os fãs de blues que não estão familiarizados com a banda, ‘An Anthology: The Elektra Years’ é um elixir de blues e é um bom lugar por onde começar.

paul butterfield blues band - an anthology: the elektra years (1997)

An Anthology: The Elektra Years (1997)
CD 1    CD 2

Tracklist CD 1
01. Born In Chicago 02. Lovin' Cup 03. One More Mile 04. Off The Wall 05. Come On In 06. Nut Popper #1 07. Ain't No Need To Go No Further, It's Too Late Brother 08. Born In Chicago 09. Shake Your Money Maker 10. Blues With A Feeling 11. Thank You Mr. Poobah 12. Our Love Is Driftin' 13. Mystery Train 14. Last Night 15. Walkin' Blues 16. I Got A Mind To Give Up Living 17. Work Song 18. All These Blues 19. East West

Tracklist CD 2
01. One More Heartache 02. Double Trouble 03. Last Hope's Gone 04. Mornin' Blues 05. Just To Be With You 06. Get Yourself Together 07. In My Own Dream 08. Love March 09. Walkin' By Myself 10. Love Disease 11. Everything's Gonna Be Alright 12. Driftin' & Driftin' 13. Blind Leading The Blind 14. Song For Lee

 - the original lost elektra sessions (1995)

The Original Lost Elektra Sessions
(1964, reissued 1995)

Tracklist
01. Good Morning Little Schoolgirl 02. Just to Be with You 03. Help Me Listen04. Hate to See You Go 05. Poor Boy Listen06. Nut Popper #1 07. Everything's Gonna Be Alright 08. Lovin' Cup09. Rock Me 10. It Hurts Me Too 11. Our Love Is Driftin' 12. Take Me Back, Baby 13. Mellow Down Easy 14. Ain't No Need to Go No Further15. Love Her with a Feeling16. Piney Brown Blues 17. Spoonful18. That's All Right 19. Goin' Down Slow

publicado por mara* às 20:49 | link do post | comentar