the beatles

the beatles - All You Need Is LoveEm 1967, a primeira transmissão mundial de TV ao vivo, via satélite, foi uma apresentação dos ‘Beatles’ cantando ‘All you need is love’. Cerca de 400 milhões de pessoas, nos cinco continentes, assistiram em tempo real ao evento ocorrido no lendário estúdio de Abbey Road, em Londres. Esse trabalho envolveu redes de TV das Américas, Europa, Escandinávia, África, Austrália e Japão. A canção foi composta especialmente para a transmissão, a convite da equipe da BBC de Londres, que queria uma canção cuja mensagem pudesse ser entendida por todos os povos do planeta. Incluída na trilha sonora do desenho animado ‘Yellow Submarine’, ‘All You Need Is Love’ acabou sendo uma das mais populares canções do grupo.

1º de junho de 1967 é uma das datas mais importantes da história da música popular. Naquele dia chegava às lojas da Inglaterra e Estados Unidos um disco que mudaria os rumos do que se convencionava chamar de pop/rock: ‘Sgt Pepper’s Lonely Hearts Club Band’, o oitavo álbum dos ‘Beatles’, produzido por George Martin e gravado nos estúdios Abbey Road, em Londres. Esse álbum foi uma resposta dos ‘Fab Four’ (os ‘garotos de Liverpool’, ou ‘Fab Four’ – ‘Quarteto Fabuloso’ como eram chamados) para o espetacular ‘Pet Sounds’ dos ‘Beach Boys’. John Lennon, Paul McCartney, George Harrison e Ringo Starr teriam ficado intrigados com o trabalho inovador de Brian, Carl e Dennis Wilson, Al Jardine e Mike Love. A exemplo dos ‘garotos da praia’, os quatro de Liverpool também revolucionaram o panorama musical. Com muitos clássicos como ‘Lucy in the Sky with Diamonds’, ‘A Day in the Life’, ‘When I’m Sixty Four’, ‘With a Little Help From My Friends’, que ficou imortalizada na interpretação de Joe Cocker no festival Woodstock, além da faixa-título, é considerado por muitos admiradores como o melhor dos ‘Fab Four’. A capa do álbum é uma das mais conhecidas e imitadas da história, além de ter gerado várias teorias sobre mensagens subliminares.

the beatles Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band (1967)

Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band (1967)

Tracklist
01. Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band 02. With A Little Help From My Friends 03. Lucy In The Sky With Diamonds 04. Getting Better 05. Fixing A Hole 06. She's Leaving Home 07. Being For The Benefit Of Mr. Kite! 08. Within You Without You 09. When I'm Sixty-Four 10. Lovely Rita 11. Good Morning Good Morning 12. Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band (Reprise) 13. A Day In The Life

the beatlesEu nunca gostei dos 'Beatles', sempre preferi os 'Rolling Stones'. ‘Ob-La-Di, Ob-La-Da’, ‘Hey Jude’ e ‘Yellow Submarine’ entre outras, foram as piores coisas que meus ouvidos ouviram. Mas, por George Harrison, eu nutria uma particular simpatia, para mim foi o maior dos Beatles, o mais discreto, sempre tímido, manteve-se em segundo plano e seu talento, infelizmente, acabou ofuscado pelo egocentrismo de John e Paul. Entretanto, foi o autor de algumas das mais belas canções da banda de Liverpool. George preferia compor suas canções sempre sozinho, enquanto John e Paul preferiam a parceria. No auge do sucesso dos Beatles, George interessou-se pelas correntes espiritualistas orientais, que tanto influenciaram suas obras. Com o famoso ‘The White Album’, George pela primeira vez conseguiu emplacar um hit nas paradas com a belíssima ‘While my guitar gently weeps’, uma das melhores músicas de George e dos Beatles, que conta com um estupendo solo de guitarra de Eric Clapton, que realmente fez a guitarra chorar. Embora Eric tenha feito o solo de guitarra da música, seu nome não foi creditado no álbum.

Depois da separação dos 'Beatles', George lançou ‘My Sweet Lord’ e deu uma série de shows em Nova York, cujas rendas doou para Bangladesh. O fracasso dos discos e turnês posteriores, coincidiram com problemas pessoais, sua mulher o trocou pelo amigo Eric Clapton. Em 1972 veio o divórcio, e George e Eric ficaram sem se falar até 1990, quando se reconciliaram. Em 1997, foi operado de um tumor cancerígeno na garganta, depois um no pulmão. Em 1999, um fã desequilibrado entrou em sua mansão em Londres e o esfaqueou dez vezes no peito. Nessa ocasião, salvou-se graças à iniciativa de sua esposa, que colocou o agressor fora de combate atingindo-o com um abajur. Morreu em 2001, aos 58 anos, em conseqüência do câncer.

the beatles

O ano é 1968. Foi o ano mais efervescente em todos os aspectos, da história da humanidade, e os Beatles estavam lá com o 'The White Album', apenas com o nome do grupo em relevo numa viagem de ritmos, cores, poesia, neuroses, lirismo, paz e ódio. E para minha surpresa, havia também boa música na simplicidade de sua capa, havia 'Cry Baby Cry', 'Helter Skelter', 'While My Guitar Gently Weeps', e havia 'Sexy Sadie', um dilúvio musical, que na época, descia como lava dentro de mim. ‘The Beatles’ é o nono disco oficial dos ‘Beatles’, lançado como disco duplo em 22 de novembro de 1968. É popularmente conhecido como ‘The White Album’. A capa foi criada pelo artista pop Richard Hamilton e o título original era para ser ‘A Doll’s House’, mas uma banda britânica chamada ‘Family’, já tinha lançado um álbum com nome similar. Em 1997 foi nomeado o décimo melhor disco de todos os tempos, é 19 vezes disco de platina e o décimo disco mais vendido nos Estados Unidos.

george harrison, maharishi mahesh yogi & john lennon

George Harrison, Maharishi Mahesh Yogi & John Lennon

Composto basicamente durante o retiro dos ‘Beatles’ em Rishikesh na Índia, no centro de meditação do guru Maharishi Mahesh Yogi, que tinham conhecido no ano anterior durante um período de meditação no País de Gales, o álbum levou quase 8 meses de trabalho de estúdio. A idéia era fazer um disco de rock não rebuscado como o anterior 'Sgt Pepper's Lonely Hearts Club Band', com os instrumentos usados pela própria banda. O disco mais diversificado da banda foi também o primeiro indício que o grupo estava se separando. A constante presença de Yoko e os primeiros problemas com a Apple fizeram deste um disco tenso. Ringo chegou a abandonar o grupo, quando perdeu finalmente a paciência. Irritado com as instruções de Paul McCartney na gravação de ‘Back in the USSR’, saiu batendo a porta e disse que estava fora da banda, mas retornou, uma semana depois, obviamente arrependido. O trabalho não parou. Enquanto cortejavam o baterista para que voltasse, o trio gravou ‘Back in the USSR’ e ‘Dear Prudence’ com Paul na bateria. Quando Ringo voltou, encontrou seu kit decorado com flores azuis, brancas e vermelhas (idéia de George Harrison). No futuro, ele se referiu ao incidente como o início de ‘meses e anos de angústia’. É também o adeus à fase psicodélica da banda e um prelúdio do que seria a música pop do início dos anos 70. A própria capa, totalmente branca é exatamente o oposto do último disco 'Sgt Peppers Lonely Hearts Club Band'. Acompanham o disco um poster com colagens e quatro fotos dos ‘Beatles’. Uma minúscula foto incluída no poster, que mostra Paul nu, causou mais polêmica do que a foto de John, muito maior e igualmente nu, atendendo um telefone ao lado de Yoko. São 30 músicas dispostas em 2 LPs, 13 músicas de John, 11 de Paul, quatro de George, uma de Lennon e McCartney e uma de Ringo, numa coletânea de vários estilos musicais como rock'n'roll, blues, reggae, soul, country e pop.

the beatles - sexy sadie


the beatles - the white album (1968)

The Beatles (1968)
CD 1    CD 2

Lado 1
Back in the U.S.S.R
Dear Prudence
Glass Onion
Ob-La-Di, Ob-La-Da
Wild Honey Pie
The Continuing Story of Bungalow Bill
While My Guitar Gently Weeps
Happiness Is a Warm Gun

Back in the USSR (Paul McCartney) - Os Beatles eram proibidos na União Soviética e esta música saiu três meses depois de as tropas soviéticas sufocarem a ‘Primavera de Praga’, o que provocou acusações de que seu autor, Paul McCartney, estivesse defendendo o comunismo. Paul disse que fez uma paródia dos ‘Beach Boys’ e um contraponto com 'Back in the USA' de Chuck Berry. Ele achou divertido falar da URSS como se fosse os EUA e das garotas da Ucrânia como se fossem as garotas da Califórnia ('California girls', música dos Beach Boys). A canção foi gravada sem a presença de Ringo Starr, que brigou com Paul e resolveu deixar o grupo. O som do avião a jato foi gravado no aeroporto de Londres.

Dear Prudence (John Lennon) - A Prudence do título é irmã da atriz Mia Farrow. Ambas estavam na Índia e Prudence se mostrava muito arredia, trancada em seu bangalô com seus exercícios de meditação. A letra a chama para sair e brincar que o sol brilha, o céu está azul, está tudo lindo e ela também. O primo de Paul, John McCartney, o cantor e guitarrista Jackie Lomax e o roadie Mal Evans ajudaram nos vocais e palmas.

Glass Onion (John Lennon) - John sempre se divertiu com as interpretações que davam às letras dos ‘Beatles’ e gostava de colocar coisas sem sentido. A letra de ‘Glass Onion’ é toda construída para provocar um curto circuito nesse povo. Ela se refere a outras músicas dos ‘Beatles’ num texto totalmente non sense que fala em olhar através de uma cebola de vidro/monóculo. As canções citadas são ‘Strawberry fields forever’ (I told you about Strawberry Fields/ you know the place where nothing is real), ‘I am the walrus’ (Well here's another clue for you all/The walrus was Paul'), ‘Lady Madonna’ (Lady Madonna trying to make ends meet), ‘Fool on the hill’ (I told you about the fool on the hill) e ‘Fixing a hole’ (Fixing a hole in the ocean).

Ob-la-di Ob-la-da (Paul McCartney) - Uma canção infantil de Paul em ritmo de ska que ele sugeriu como single, mas os outros discordaram. O grupo ‘Marmalade’ gravou e foi ao primeiro lugar. A história é de Desmond, dono de uma carrocinha no mercado, e Molly, cantora numa banda. Eles se casam, têm dois filhos, de dia trabalham no mercado, de noite ela canta num bar. Paul levou a banda à loucura fazendo e refazendo a canção num total de 42 horas de trabalho. Todos bateram palmas e fizeram ‘percussão de boca’, além dos inúmeros barulhinhos e falas ouvidos ao longo da canção.

Wild honey pie (Paul McCartney) - Gravada por Paul sozinho enquanto John e Ringo trabalhavam em ‘Yer blues’ e em ‘Revolution 9’ em outro estúdio. George tinha viajado para a Grécia, na primeira vez em que um ‘Beatle’ se ausentava durante a gravação de um álbum. É uma brincadeira em cima de outra música de Paul no disco, ‘Honey pie’.

The continuing story of Bungalow Bill (John Lennon) - Canção bem humorada que John fez na Índia inspirado em um americano que também estava em Rishikesh: ele se ausentou por uns dias para caçar tigres e depois voltou para continuar seus estudos de aperfeiçoamento espiritual. Diante de uma figura dessas, John partiu para a gozação: ‘ele saiu para caçar tigres com sua arma e um elefante/ Em caso de acidentes, ele sempre levava sua mãe/ Ele é aquele americano saxão filho da mãe com cabeça em forma de bala’, daí ele chamava para o refrão com ‘cantem todas as crianças’. Todo mundo que estava em Abbey Road foi convocado para cantar o refrão, incluindo Yoko Ono e Maureen Starr, mulher de Ringo. Yoko Ono canta em dois versos na terceira estrofe.

While my guitar gently weeps (George Harrison) – George teve dificuldades em gravar suas quatro canções incluídas no álbum branco. ‘Tive que fazer umas 10 de John e Paul antes que me dessem uma chance’, contou ele em 1987. O grande trunfo é o solo de Eric Clapton, depois de muita insistência de George. ‘Ninguém toca num disco dos Beatles’ relutou Eric e George respondeu que a música era dele e queria que Eric tocasse. Os dois eram muito amigos, moravam perto, um freqüentava a casa do outro, a ponto de Eric se apaixonar pela mulher de George, Pattie Boyd. A letra era uma aplicação dos ensinamentos aprendidos na Índia com uma abordagem condescendente que mereceu críticas. A música partiu de duas palavras ‘gently weeps’ numa página do I Ching que George abriu ao acaso.

Happiness is a warm gun (John Lennon) – O título violento foi achado por John numa revista de armas, uma sugestão de que a felicidade é uma arma quente, ou seja, que acabou de ser usada contra alguém. A letra é mais um exercício de non sense para perturbar os que buscam significados nas letras dos ‘Beatles’: ‘Ela não é uma garota que perde muito. Ela conhece bem o toque da mão de veludo como um lagarto numa janela’, com alusão também a drogas ‘Preciso de um pico porque estou indo para baixo’. O nome da música também foi associado a drogas, como se ‘arma’ quisesse dizer ‘seringa’. O falecido Neil Aspinall, assessor dos ‘Beatles’ desde Liverpool, disse que ele e John fizeram muitos versos juntando palavras aleatoriamente. A interpretação é uma das melhores de John em disco. Começa suave e vai num crescendo à medida que ele enuncia a letra, até a parte final com sua voz gritada.

Lado 2
Martha My Dear
I'm So Tired
Blackbird
Piggies
Rocky Raccoon
Don't Pass Me By
Why Don't We Do It in the Road?
I Will
Julia

Martha my dear (Paul McCartney) – Gravada sem os demais ‘Beatles’, Paul se revezou entre piano, baixo, guitarra, bateria, palmas e vocal com dobra, com 14 músicos fazendo sopros e cordas: quatro violinos, duas violas, dois cellos, três trumpetes, flugelhorn, trombone e tuba. Martha era a cadela pastor de Paul, que morava no mesmo bairro da gravadora, St. John’s Wood, e ele de vez em quando a levava para passear. Um grupo de fãs que fazia plantão diante de sua casa às vezes recebia o privilégio de levar Martha para passear. Apesar do nome, a letra não é sobre a cadela, mas sobre um caso de amor complicado, a menos que alguém ache que versos como ‘eu e você fomos feitos um para o outro, garota boba’ se referem à cadela.

I’m so tired (John Lennon) – John compôs esta música na Índia, numa referência ao seu cansaço com tanto estudo e meditação no ashram do Maharishi Mahesh Yogi. Ela se conecta diretamente com ‘I’m only sleeping’, do LP ‘Revolver’, pela semelhança do tema. Naquela, John pede que não o acordem. Em ‘I’m so tired’, ele tenta combater a insônia com um drinque e um cigarro e, de quebra, xinga Sir Walter Raleigh, o cara que introduziu o tabaco na Inglaterra. No final da canção John murmura ‘Monsieur, monsieur, what about another one?’

Blackbird (Paul McCartney) – Paul compôs esta música na Índia e a inspiração foi um acordar com o canto de pássaros antes do dia raiar. O músico usou a imagem do pássaro negro, um melro, para se referir às experiências que estava tendo com o guru indiano. ‘Melro...pegue estas asas quebradas e aprenda a voar/ Você esperou por este momento toda a sua vida’...’Melro...pegue estes olhos encovados e aprenda a ver/ Em toda sua vida você estava apenas esperando este momento para ser livre’. O canto do pássaro na faixa veio do volume sete da biblioteca de efeitos de Abbey Road: ‘Pássaros de pena’.

Piggies (George Harrison) – Canção de George que ecoa ‘Animal Farm’ (A revolução dos bichos), de George Orwell, em que os porcos dominam os demais animais com o mote de que todos são iguais, mas uns são mais iguais do que outros, o que se encaixa perfeitamente no conceito ocidental de democracia. A letra fala de porcos pequenos que apenas têm a lama para chafurdar e dos grandes porcos acima deles, sempre com roupas limpas, que saem com as esposas para jantar e comem bacon, dos porcos pequenos, supõe-se. A canção tem um arranjo barroco com quatro violinos, duas violas e dois cellos. O co-produtor Chris Tomas tocou cravo. George contou com ajuda de Lennon, autor do verso ‘clutching forks and knives to eat their bacon’ (Empunhando facas e garfos para comer seu bacon) e sua mãe, Louise, fez o verso ‘What they need is a damn good whacking’ (o que eles precisam é de uma boa surra”). A canção foi interpretada como sendo contra a polícia porque pigs é uma gíria para policiais. Charles Manson, o líder de uma seita que trucidou quatro pessoas numa mansão da Califórnia se disse inspirado pela canção 'Helter Skelter', deste álbum, e escreveu ‘morte aos porcos’ na porta, uma referência, ao que parece, à música de George. Uma de suas vítimas foi a atriz Sharon Tate, oito meses e meio grávida do marido, o cineasta Roman Polanski, e três amigos, dois homens e uma mulher.

Rocky Raccoon (Paul McCartney) – Canção com relato cômico de Paul sobre um caubói chamado Rocky Raccoon que vivia nos morros do estado de Dakota. A mulher dele, Magill, foge com outro de nome Dan, e Rocky vai atrás para lavar a honra, encontra os dois, mas Dan é mais rápido e atira nele.

Don’t pass me by (Ringo Starr) – O baterista da banda sempre tentou fazer músicas, mas quando mostrava aos outros, eles caíam na gargalhada porque ele apresentava músicas que já existiam. Este country levou cinco anos para ficar pronto, uma canção de amor com versos pueris, com Ringo na voz, bateria, sineta, piano, Paul ao piano e baixo e Jack Fallon ao violino. Fallion era empresário de shows e músico e contratou os Beatles para alguns shows no começo da carreira deles. John e George não participaram da gravação.

Why don't we do it in the road? (Paul McCartney) - Um blues de verso único com apenas um minuto e 40 segundos gravado por Paul e Ringo. Paul tocou violão, guitarra, baixo e bateu palmas, Ringo tocou bateria e bateu palmas. Paul usa todos os seus recursos vocais nesta faixa, indo do gutural ao falsete num sonoridade bem crua. John adorou e ficou chateado por não ter sido convidado a participar quando Paul gravou as bases. John e George estavam acompanhando mixagens em outro estúdio.

I will (Paul McCartney) – Outra das belas baladas de Paul como ‘And I love her’, ‘Here, there and everywhere’, ‘For noone’, ‘Yesterday’, entre outras. Letra idiota do tipo 'eu te amo e você sabe que vou te esperar’, com um arranjo e interpretação tocantes.

Julia (John Lennon) – Homenagem de John à sua mãe, Julia Stanley, que cuidou dele apenas nos primeiros quatro anos, passando a responsabilidade à irmã Mary, ou melhor, a Tia Mimi, que criou John. Julia prezava sua liberdade, via John apenas ocasionalmente, mas ele sempre a adorou. Os dois foram mais próximos na juventude de John, quando ele formou os ‘Quarrymen’, a banda à qual se agregariam Paul e George. Julia morreu atropelada em 1958, quando John tinha 17 anos, e ele sempre demonstrou um trauma em relação ao abandono. Na canção ‘Mother’, de sua carreira solo, ele canta ‘mãe, você me teve, mas eu nunca tive você’. ‘Julia’ é uma canção de amor para a mãe e também cita Yoko Ono no verso ‘ocean child calls me’: Yoko significa ‘criança do oceano’ em japonês. Os psicólogos de plantão interpretam que Yoko finalmente preenchera o vazio que ele sentiu com a morte da mãe, a quem amava muito. Julia fazia o papel de amiga e o encorajava criativamente e sua morte, segundo os psicólogos, o levou a adotar uma postura rebelde e a tratar mal as mulheres até conhecer Yoko. John gravou sozinho cantando e tocando violão.

Lado 3
Birthday
Yer Blues
Mother Nature's Son
Everybody's Got Something to Hide Except Me and My Monkey
Sexy Sadie
Helter Skelter
Long, Long, Long

O lado três contém a música mais polêmica do álbum branco, ‘Helter Skelter’ de Paul McCartney usada pelos fanáticos da seita californiana de Charles Manson como desculpa para assassinar a atriz Sharon Tate e três amigos dela, além de várias outras pessoas. A canção, junto com outras do álbum branco, conteria mensagens de uma rebelião que jogaria negros contra brancos numa guerra racial e Manson se ergueria como o guia dos vencedores. O crime chocou a nação pela violência e, ao estilo show business do país, pela morte da bela Sharon grávida de oito meses. É óbvio que a música nada tinha a ver com isso, mas ficou associada ao crime. ‘Helter Skelter’, que ao pé da letra significa confusão, desordem, na época se referia a um brinquedo em espiral nos parques de diversão ingleses e a letra se refere a isso: ‘quando eu chego ao fundo eu volto ao alto do escorregador, onde dou voltas num passeio, chego ao fundo e te vejo de novo’.

Birthday (Lennon e McCartney) – Única canção no disco da dupla com os dois se revezando na voz principal. A parte principal é de Paul completada por John. Gravada quando a BBC exibiu pela primeira vez o filme ‘The girl can’t help it’, estrelado pela loura Jayne Mansfield como uma cantora em busca da fama. Mas o atrativo principal eram os números musicais de Little Richard, autor da canção-título, Fats Domino, The Platters e Gene Vincent & The Blue Caps. A canção tem Paul ao piano com sua voz no alcance máximo ao estilo de Little Richard, usada por ele no passado em ‘Long tall Sally’, John na guitarra e voz e vocal, George no baixo e Ringo castigando os tambores. Um rock rápido ao melhor estilo de Little Richard. A canção substitui o tradicional 'Parabéns pra você' nos aniversários da turma do rock.

Yer blues (John Lennon) – Uma rara incursão dos ‘Beatles’ pelo blues, foi escrita por John como uma brincadeira com a onda de blues que assolava a Inglaterra na época. John faz uma grande interpretação nesta canção, que ele considerava uma de suas melhores e faz o solo de apenas duas notas. No final John canta diante de um microfone com captação mínima dando a impressão de que está cantando bem longe. Ringo gravou a contagem 'two, three...' que abre a canção.

Mother’s nature son (Paul McCartney) – Outra balada lírica de Paul sobre um rapaz pobre do campo que se proclama filho da mãe natureza. Paul gravou sozinho com voz dobrada, violões, bateria e tímpanos.

‘Everybody's got something to hide except me and my monkey’ (John Lennon) – Esta canção, mais uma, de aparente letra non sense se refere à verdadeira guerra da imprensa e dos fãs dos ‘Beatles’ contra Yoko Ono, retratada numa charge de um jornal inglês como uma macaca nas costas de Lennon. Muitos versos se referem a citações do Maharishi durante a estada da banda na Índia. ‘Come on it’s such a joy’ (Venha, é tanta alegria) era uma frase freqüente do guru indiano. ‘The deeper you go the higher you fly’ (Quanto mais fundo você for, mais alto voará) e ‘Your inside is out and your outside is in’ (Seu interior está para fora e seu exterior para dentro) são outras citações.

Sexy Sadie (John Lennon) - Inspirada no suposto comportamento do Maharishi Mahesh durante a estada dos Beatles no seu ashram na Índia em 1968. Eles souberam que o guru assediava discípulas para lhes mostrar um atalho sexual para o Nirvana. Lennon, sempre cínico, escreveu a canção e lhe deu o nome de Maharishi: ‘Sexy Sadie what have you done/ You made a fool of everyone’ (Sexy Sadie, o que você fez/ Você fez todo mundo de bobo). O nome não se manteve como ‘Maharishi’ por pressão de George Harrison e para evitar processos. Há uma segunda versão de que a fofoca foi engendrada por um certo Alex Mardas, ciumento com a influência do guru sobre os ‘Beatles’. Mardas era um charlatão conhecido como Magic Alex que só mamou nas tetas do ‘Fab Four’ até ser posto porta a fora.

Helter Skelter (Paul McCartney) – Uma das primeiras canções, se não a primeira, do que viria a ser chamado de heavy metal. Paul ficou enciumado com uma declaração de Pete ‘The Who’ Townshend, que chamou seu single ‘I can see for miles’ de a ‘canção mais alta, barulhenta e crua’ da carreira do ‘The Who’. Paul resolveu fazer uma que fosse muito mais e há versões de que foi uma resposta a quem o acusava de só fazer baladas. Uma das sessões de gravação foi descrita como uma loucura total pelo engenheiro Brian Gibson, que insinua que eles estavam drogados.

Long, Long, Long (George Harrison) – Depois da demência de '’Helter Skelter'’ esta balada tranqüila de George cai muito bem. Com John Lennon ausente, George cantou com dobra e tocou violões, Paul tocou baixo e órgão, o co-produtor Chris Thomas piano. Um ruído no final climático é de uma garrafa de vinho que estava em cima da caixa leslie e começou a tremer quando Paul tocava. Eles gostaram do som e o repetiram com um microfone para a devida captação. A letra de George pode ser interpretada como de amor romântico, mas o engajamento religioso dele pode lhe dar uma outra interpretação.

Lado 4
Revolution 1
Honey Pie
Savoy Truffle
Cry Baby Cry
Revolution 9
Good Night

O lado quatro do disco foi o que mais fundiu a massa encefálica da rapaziada, na época, pela presença dos oito minutos e 13 segundos de 'Revolution 9', algo que nunca tinha sido ouvido fora do restrito círculo da música experimental: meia dúzia de gatos pingados que conheciam John Cage e Karlheinz Stockhausen. Neste encerramento, são quatro canções de John, uma de Paul e uma de George. Interessante o contraste entre 'Revolution nine' e 'Good night', que fecha o disco, ambas de John, uma muito louca, outra uma canção de ninar com orquestra.

Revolution (John Lennon) – As agitações de 1968 tiveram influências conflitantes sobre John Lennon, que gravou três versões de 'Revolution'. A primeira, mais rápida e cantada de maneira agressiva, com guitarras distorcidas, foi lançada em um compacto com ‘Hey Jude’. A segunda, mais lenta, com sopros e guitarra distorcida com menos ataque, abre o lado quatro do álbum branco. A terceira é uma colagem de sons. A letra trata de temas cotidianos daquele ano, como a pregação de uma revolução por setores agressivos da esquerda americana como o ‘Youth International Party’ e os ‘Panteras Negras’. Lennon diz que todos querem uma revolução, mas, se for pela violência, ele está fora. Aos que culpam a Constituição, ele manda que mudem suas cabeças. Aos que levam posters do líder chinês Mao Tse-tung, ele rebate que nada vão conseguir. Em resumo, prega a revolução pela mudança individual de cada um, uma posição utópica que foi criticada pelos setores politizados da época, com a América pegando fogo contra a guerra do Vietnam e as manifestações francesas ainda no rescaldo do maio de 68. John cantou, tocou violão e guitarra; Paul tocou piano, órgão, baixo e fez vocais; George tocou guitarra e fez vocais; e Ringo tocou bateria. Esta versão tem dois trumpetes e quatro trombones.

Honey Pie (Paul McCartney) – Canção de Paul ao estilo das bandas de jazz dos anos 20, com sopros manipulados para soarem como as antigas gravações em 78 rotações. É a história de uma garota do norte da Inglaterra que faz sucesso na América e seu apaixonado a chama de volta, com Paul na voz, piano e guitarra; John na guitarra; George no baixo e Ringo na bateria. Os sopros são cinco saxofones e dois clarinetes. Um verso ‘now she’s hit the big time’, no princípio, recebeu forte compressão e chiados para soar como num disco antigo.

Savoy Truffle (George Harrison) – Esta música é uma homenagem à então fama de chocólatra de Eric Clapton, grande amigo de Harrison, que assaltava caixas de bombons ‘Good news’ que tinham sabores como Savoy truffle, Montelimart, Gingersling, Cream tangerine e coffee dessert, todos citados na letra. Teve George no vocal com dobra e guitarra, Paul no baixo e Ringo na bateria e pandeiro. Os sopros são seis saxofones – dois barítonos e quatro tenores – que tocaram lindamente o arranjo do assistente de George Martin, Chris Thomas. Quando estava pronto, George pediu ao engenheiro Ken Scott que distorcesse o som, o que foi feito injetando os sopros em dois amplificadores que foram saturados e sujaram tudo. Antes de os músicos ouvirem, George pediu desculpas pelo que tinha feito mas explicou que era assim que queria. Eles não gostaram nem um pouquinho, mas estavam ali para fazer o que o autor desejava.

Cry Baby Cry (John Lennon) – Canção inspirada num comercial que mandava as crianças chorarem para as mães comprarem uma marca de flocos de milho. A letra foi inspirada em histórias de fantasia como ‘Alice no país das maravilhas’, que John conhecia da infância.

Revolution 9 (John Lennon) – começa com um fragmento de Paul cantando algo sobre ser levado de volta por um barco, a seguir um diálogo entre o produtor George Martin e o gerente da Apple Alistair Taylor que se esquecera de trazer uma prometida garrafa de vinho e pede desculpas para Martin. Daí entra uma voz dizendo ‘number nine’ encontrada numa fita que John usou para criar um loop que se repetia ao longo da peça, a colagem foi feita por John e Yoko, com uma força de George, e inclui coisas como um trecho orquestral de ‘A day in the life’, ao contrário, um mellotron ao contrário, trechos de óperas e sinfonias, John e George falando coisas aleatórias como ‘the watusi’, ‘the twist’, ‘the eldorado’, ‘economically viable’, ‘financial imbalance’, ‘there ain’t no rule for company freaks’. Yoko canta ‘you become naked’ e solta aqueles gritos irritantes. Um engenheiro falou que o ‘number nine number nine’ virou mania na gravadora e as pessoas ficaram semanas repetindo como um mantra: numberninenumbernine numberninenumbernine...

Good night (John Lennon) – Com ‘Revolution 9’, John levou os funcionários de arquivo e os engenheiros à loucura com sua pesquisa de sonoridades, colagens feitas na base de gilete e cola, loops grandes que tinham que ser segurados com lápis longe dos gravadores. Depois disso, só restava finalizar o disco com algo bem careta. Ringo canta esta cantiga de ninar feita por John para seu filho Julian, de cinco anos. (explicações sobre as músicas por Jamari França)

publicado por mara* às 18:20 | link do post | comentar