dave brubeck

dave brubeckEm certa ocasião, Oscar Peterson, afirmou que existem apenas dois tipos de música: a boa e a ruim. Dentro das grandes formas musicais que englobam o jazz, de forma consistente Dave Brubeck conseguiu tocar e deixar uma música soberba para futuras gerações. Ele tem quase meio século, e é importante como pianista, compositor e líder, talvez, do mais conhecido quarteto da história do jazz. Dave Brubeck é um membro desse círculo encantado de artistas cuja popularidade é compatível com suas realizações musicais. Ele não apenas faz boa música, ele a transmitiu para que toda uma nova geração de amantes de boa música pudesse apreciá-la e encontrá-la doce, como décadas atrás. Reconhecido como um gênio em sua área, ele compôs vários jazz standards, incluindo ‘In Your Own Sweet Way’ e ‘The Duke’. David Warren Brubeck foi um jazzman atípico na década de 50. Começou a aprender piano aos 4 anos de idade com sua mãe e violoncelo aos 9 e apesar, ou talvez por causa, da prevalência de músicos na família, seus irmãos mais tarde se tornariam reitores de música em escolas, Brubeck não tinha sonhos de se tornar um músico profissional, ele queria ser fazendeiro. Quando a família se mudou para uma fazenda, com 11 anos Dave ficou encantado com a vida na fazenda e saboreava cada uma de suas tarefas diárias. Aos 18 anos, Brubeck relutou em deixar a fazenda para estudar, mas seus pais o convenceram a ir para a faculdade sugerindo a possibilidade dele se tornar um veterinário para que ele pudesse voltar para a fazenda. A loucura desse plano se tornou evidente em seu primeiro ano, e, por sugestão de seu conselheiro de ciências optou por trocar as aulas de anatomia pelas de música.

dave brubeck timeDave Brubeck começou sua carreira no início dos anos 50 na região do west coast americano, ou seja, em San Francisco, EUA. Em 1951 ele fundou, com o saxofonista Paul Desmond, seu amigo dos tempos do serviço militar, o quarteto que seria um dos maiores da história do jazz. Inicialmente, o jazz de Dave Brubeck era mais ao gosto de West Coast, um estilo do bebop, o cool jazz, composto por baladas e swing mais lento e suave. Foi o saxofonista Charlie Parker que inventou o bebop, e na época era comum a rivalidade entre os músicos negros de New York e os brancos de San Francisco ou Los Angeles, os músicos negros diziam que os brancos não sabiam swingar com os negros, e os músicos brancos diziam que os negros, apesar de serem virtuoses, não tinham lirismo. E Dave Brubeck, em uma jogada de marketing, provou que tinha capacidade de tocar como os negros chamando a atenção da mídia sendo capa da revista ‘Time’ em 1954. Em 1957 o quarteto se estabilizou até 1967, com Dave Brubeck no piano, Paul Desmond no saxofone alto, Eugene Wright no contrabaixo e o notável Joe Morelo na bateria. Com essa formação, o quarteto gravou o clássico ‘Time Out’, o primeiro álbum de jazz a ganhar um disco de platina em 1959, devido a ‘Take Five’, tema e composição de Paul Desmond, tímido e quieto, mas sempre rodeado de lindas mulheres, com o seu som limpo e lírico, e seus improvisos impactantes fizeram Charlie Parker seu fã. Depois o quarteto lançou os notáveis ‘Time Further Out’, ‘Time Changes’ e ‘Jazz Impressions of Japan’. Todas as capas desses discos foram ilustradas por pintura contemporânea de artistas como Neil Fujita, Joan Miró, Franz Kline e Sam Francis. Dave Brubeck adorava o pintor espanhol Miró.

dave brubeck quartet

'Dave Brubeck Quartet' em 1959 durante a gravação do álbum ‘Time Out’: Joe Morello (bateria), Paul Desmond (saxophone), Dave Brubeck (piano) e Eugene Wright (baixo). Quarteto que também se apresentou no Carnegie Hall em 1963.

Dave Brubeck tinha um estilo percussivo de tocar piano, sempre improvisava, ele não sabia e nem gostava de ler partitura, mesmo depois se cursar a universidade. Ele evitava aprender a ler durante as aulas de piano de sua mãe, alegando dificuldade de visão. Ele queria simplesmente compor suas próprias melodias e por isso nunca aprendeu a ler partituras. Na faculdade, foi por pouco expulso do curso, quando um de seus professores descobriu que ele não sabia ler partituras. Muitos outros professores o defenderam apontando seu talento em contraponto e harmonia, mas a escola continuou com medo de que isso pudesse causar um escândalo, e só concordou em lhe dar o diploma se ele concordasse em nunca dar aulas de piano. Dave Brubeck tinha admiração por Duke Ellington e pela música erudita. Foi acusado, por críticos da época, de não ser um melodista, mas suas ousadias harmônicas e mudanças de andamento anunciavam um pianista inovador e um compositor inspirado. Dave Brubeck é responsável por uma das experiências mais bem sucedidas da ‘Third Stream’ (integração de elementos do jazz e da música erudita), no mesmo patamar de Stan Kenton, do Modern Jazz Quartet e do pianista Bill Evans.

‘Time Out’ foi planejado como um experimento, mas a gravadora resolveu liberá-lo e assim, tornou-se um dos mais conhecidos álbuns de jazz, apesar das críticas negativas na época. Todas as peças foram compostas por Dave Brubeck, com exceção de ‘Take Five’, de Paul Desmond. Era um experimento com base na utilização de assinaturas de tempo que eram incomuns para o jazz. Assinaturas de tempo, também conhecido como assinatura metros, é uma convenção de notação. Existem vários tipos de assinaturas do tempo: simples (3/4 ou 4/4), compostos (9/8 ou 12/8), complexos (5/4 ou 7/8), mista (5/8, 3/8 ou 6/8, 3/4) ou outros medidores. O jazz, na época em que esse disco foi criado, era tocado em 4/4 tempos. ‘Time Out’ rompeu com isso. A música ‘Take Five’ é símbolo de irreverência e trabalho em equipe e da eterna busca pelo aprimoramento o que fez dela um ícone da inovação, pois em 1959, quando foi lançada, ia contra todas as recomendações das gravadoras para se obter um hit de sucesso. Dave Brubeck planejava lançar o álbum ‘Time Out’ quando pediu a Paul Desmond para compor uma música em 5/4 que fez de 'Time Out' o primeiro álbum de jazz a ultrapassar um milhão de cópias vendidas. Muitos supõem incorretamente que ‘Blue Rondo à la Turk’ é baseado em ‘Rondo alla Turca’ da Sonata para piano n º 11, de Mozart, mas é baseado em um ritmo turco que Brubeck ouviu. ‘Time Out’ é um daqueles álbuns que transcende fronteiras musicais, a interação entre o piano de Brubeck e o saxofone de Paul Desmond torna este disco inesquecível e um dos mais poderosos do jazz. Uma obra-prima.

dave brubeck - time out (1959)

Time Out (1959)

Tracklist
01. Blue Rondo à la Turk 02. Strange Meadow Lark 03. Take Five 04. Three to Get Ready 05. Kathy’s Waltz 06. Everybody’s Jumpin’ 07. Pick Up Sticks

Dave Brubeck foi um pioneiro na apresentação de concertos íntimos em faculdades e universidades e nas melhores salas de concerto de pequeno porte. O show no Teatro Wilshire Ebell, em Los Angeles, foi, provavelmente, um dos maiores triunfos pessoais de Brubeck que estabeleceu alto nível artístico, principalmente graças aos estudantes universitários cujo objetivo era trazer bons grupos de jazz para os concertos. O quarteto era constituído por Paul Desmond no alto saxophone, Dave Brubeck no piano, Ron Crotty no baixo e Lloyd Davis na bateria. O evento foi gravado por Dick Bock, e depois dele Dave Brubeck se tornaria o artista mais popular de jazz desde Benny Goodman.

dave brubeck - at wilshire ebell (1953)

Dave Brubeck Quartet
At Wilshire Ebell (1953)

Tracklist
01. I'll Never Smile Again 02. Let's Fall in Love 03. Stardust 04. All the Things You Are 05. Why Do I Love 06. Too Marvelous for Words 07. Blue Moon 08. Let's Fall in Love 09. Tea for Two 10. Jeepers Creepers 11. My Heart Stood Still

No Carnegie Hall, foram apresentados os melhores elementos do quarteto, ao lado do piano de Brubeck, o inovador Paul Desmond no alto saxofone, o baixista Eugene Wright e Joe Morello na bateria. O quarteto adorou a gravação ao vivo, eles não gostavam do estúdio porque não havia energia e o público aplaudindo os solos de Paul Desmond. No Carnegie Hall o grupo revela toda a harmonia, improvisação e a força, quase telepática, entre Dave Brubeck e Paul Desmond.

dave brubeck - at carnegie hall (1963)

Dave Brubeck Quartet
At Carnegie Hall (1963)
CD 1    CD 2

Tracklist CD 1
01. St. Louis Blues 02. Bossa Nova U.S.A. 03. For All We Know 04. Pennies from Heaven 05. Southern Scene 06. Three to Get Ready

Tracklist CD 2
01. Eleven Four 02. It's A Raggy Waltz 03. King for a Day 04. Castillan Drums 05. Blue Rondo a La Turk 06. Take Five (Paul Desmond)

‘The Essential Dave Brubeck’ com 31 faixas de 24 álbuns, dos 53 anos de carreira de Dave Brubeck, é a introdução perfeita para um dos maiores artistas de jazz de todos os tempos. As primeiras nove faixas são mono. Brubeck não apenas fazia boa música, ele experimentou e inventou novos conceitos. Há também vocalistas convidados, como Tony Bennett, Carmen McRae, Jimmy Rushing, e Louis Armstrong, com uma faixa cada. Como Brubeck gosta de se apresentar frente a uma platéia, quase metade do álbum são faixas ao vivo. A coleção começa com ‘Indiana’, gravada em 49 e termina com ‘Love for Sale’ escrita por Cole Porter. Para os fãs de Dave Brubeck, Paul Desmond, Eugene Wright, Joe Morello, Ron Crotty e Lloyd Davis, ‘The Essential Dave Brubeck’ é uma introdução sólida para o que Oscar Peterson classificaria como ‘música boa’.

dave brubeck - the essential (2003)

The Essential Dave Brubeck (2003)
CD 1    CD 2

Tracklist CD 1
01. Indiana 02. Perdido 03. Take the "A" Train 04. Le Souk 05. Audrey 06. The Duke 07. In Your Own Sweet Way 08. Weep No More 09. Some Day My Prince Will Come 10. Tangerine 11. Brandenburg Gate 12. Three to Get Ready 13. Blue Rondo a la Turk 14. There'll Be Some Changes Made

Tracklist CD 2
01. Take Five 02. Maria 03. It's a Raggy Waltz 04. Unsquare Dance 05. Kathy's Waltz 06. Travelin' Blues 07. Summer Song 08. That Old Black Magic 09. Bossa Nova U.S.A. 10. Autumn in Washington Square 11. Mr. Broadway 12. La Paloma Azul 13. Recuerdo 14. Caravan 15. Stardust 16. Brother Can You Spare a Dime? 17. Love For Sale

dave brubeck quartet - take five (Alemanha - 1966)
Dave Brubeck - piano
Paul Desmond - alto sax
Eugene Wright - bass
Joe Morello - drums



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publicado por mara* às 04:39 | link do post | comentar