wilson pickett

Wilson Pickett conhecido por sua voz rouca e apaixonada entrega vocal foi uma figura importante no desenvolvimento da soul music norte-americana. Embora alguns considerem o talento de Wilson Pickett abaixo dos versáteis Otis Redding e Aretha Franklin, ele é muitas vezes uma alternativa preferida dos fãs que gostam do soul mais cru. Uma das principais estrelas do soul dos anos 60, seus primeiros sucessos foram gravadas com a nata dos músicos do ‘Muscle Shoals Sound Studio’. A banda de apoio de estúdio ‘The Rhythm Section Muscle Shoals’ como ficou conhecida, foi a primeira seção rítmica a possuir seu próprio estúdio e, eventualmente, a sua própria editora. O acompanhamento diferenciado e arranjos foram ouvidos em um número enorme de gravações lendárias, incluindo os de Wilson Pickett e Aretha Franklin. Antes de se estabelecer como artista solo, Pickett cantou com os ‘Falcons’, que ficaram nas paradas em 1962 com ‘I Found a Love’ e ‘ If You Need Me’ regravada pelos Rolling Stones. Em seguida, ‘It's Too Late’ e ‘In the Midnight Hour, foram seus sucessos como cantor solo. Pickett teve uma enxurrada de outros sucessos ao longo dos anos seguintes e gravou várias canções iniciais de Bobby Womack. Caçula de 11 filhos sobre a sua mãe Pickett escreveu em seu livro: ‘ela era a pior mulher, ela costumava me bater com qualquer coisa, até com frigideiras; uma vez eu fugi e chorei por uma semana. Ficamos no mato, eu e meu cachorro’. Pickett finalmente deixou a mãe para viver com seu pai, em Detroit em 1955. O estilo vigoroso e ardente de Pickett foi alimentado nos coros da Igreja Batista de sua nativa, Prattville, Alabama, e nas ruas de Detroit, sob a influência de estrelas como Little Richard, a quem ele se referiu mais tarde como ‘o arquiteto do rock and roll’.

Em 1955, Pickett tornou-se membro do grupo gospel ‘The Violinaires’. Depois de cantar durante quatro anos no grupo foi atraído pelo sucesso de outros cantores gospel do momento, que trocaram a música religiosa no final dos anos 50 pela música mais lucrativa, a secular, e se juntou ao grupo ‘Falcons’, em 1959. Os ‘Falcons’ foram um dos primeiros grupos vocais a trazer o gospel para um contexto mais popular, abrindo assim o caminho para a música soul. O grupo também contou com Eddie Floyd e Sir Mack Rice membros notáveis do grupo que se tornaram grandes artistas. O maior sucesso de Pickett com os ‘Falcons’ foi em 1962, quando ‘I Found a Love’, tendo Pickett como vocalista principal, alcançou as paradas de R&B. Logo após a gravação de ‘I Found a Love’, Pickett fez as suas primeiras gravações solo, incluindo ‘I'm Gonna Cry’, sua primeira parceria com Don Covay, uma figura importante da música soul sulista.

Por esta época, Pickett também gravou uma demo com a canção que co-escreve, ‘If You Need Me’, uma lenta e ardente balada soul apresentando um sermão falado, que foi enviada por Pickett para Jerry Wexler, produtor da ‘Atlantic Records’. Wexler ouviu a demo e gostou tanto dela que deu a um dos artistas de seu próprio selo de gravação, Solomon Burke. A gravação de Burke tornou-se um de seus maiores hits e é agora considerada um standard da música soul. Pickett ficou arrasado quando descobriu que a Atlantic tinha passado adiante a sua canção. A versão de Pickett da canção foi lançada pela ‘Double L Records’, e foi um sucesso moderado. O primeiro grande sucesso de Pickett como artista solo veio com a canção ‘It's Too Late’, não confundir com o standard de Chuck Willis com o mesmo nome. O sucesso deste disco convenceu Wexler e a gravadora Atlantic a comprar o seu contrato da gravadora ‘Double L Records’ em 1964.


Wilson Pickett & Jimi Hendrix (1966)

O sucesso de Pickett surgiu no estúdio de gravação da ‘Stax Records’ em Memphis, Tennessee, onde gravou, em 1965, seu terceiro single da Atlantic, ‘In the Midnight Hour’, com um poderoso ritmo com os músicos de estúdio Steve Cropper e Al Jackson, musicos da banda da casa da ‘Stax Records’, que também incluía o baixista Donald ‘Duck’ Dunn, e que tocavam na banda ‘Booker T. & the M.G.'s’. A canção, talvez o seu mais lembrado sucesso, tornou Pickett uma estrela, e também deu à ‘Atlantic Records’ um autênctico hit. Vendeu mais de um milhão de cópias e Pickett foi premiado com um disco de ouro. Pickett gravou mais três sessões na Stax e foi acompanhado pelo tecladista Isaac Hayes, uma das principais forças criativas da gravadora ‘Stax Records’. Nas sessões seguintes, Pickett não voltaria a Stax; o proprietário da gravadora, Jim Stewart, proibiu todas as produções de fora. Como resultado, Wexler levou Pickett ao ‘Fame Studios’, outro estúdio de gravação com uma associação ainda mais estreita com a ‘Atlantic Records’ e muito influente na formação da soul music, e lá Pickett gravou alguns de seus maiores sucessos e seu maior hit pop de todos os tempos, ‘Land of 1000 Dances’.

No final de 1967, Pickett começou a gravar na ‘American Studios’ em Memphis e também começou a gravar várias músicas de Bobby Womack, e todas foram sucessos. ‘I'm in Love’ foi um retorno ao gênero balada soul e Pickett iria continuar a gravar uma mistura de baladas, soul e funk para o resto de sua carreira. Bobby Womack foi o guitarrista em todas essas gravações. Pickett voltou a ‘Fame Studios’ no final de 1968 onde trabalhou com uma banda que apresentava o guitarrista Duane Allman, co-fundador do grupo ‘The Allman Brothers Band’ e respeitado músico de sessão. O cover ‘Hey Jude’ dos Beatles veio dessas sessões da Fame, bem como hits menos famosos. No início dos anos 70, Kenny Gamble e Leon Huff, pioneiros do soul de Filadélfia, compositores e produtores da ‘Philadelphia International Records’ produziram em 1970 o álbum ‘Wilson Pickett In Philadelphia’ que marcou sucessos consideráveis no emergente estilo philly-soul que se tornaria o som da década. Posteriormente, Pickett gravou para outras gravadoras, incluindo RCA e Motown. Em 1975, com a carreira de Pickett, antes proeminente, agora em declínio, a RCA decidiu tirar Pickett de seu selo. Pickett continuou a gravar esporadicamente com vários selos ao longo das décadas seguintes contudo, nunca teve outro hit pop após 1974.


Em 1971, um grande contingente de algumas das maiores estrelas do soul, R&B e jazz viajou dos Estados Unidos para Gana para tocar em um único concerto de 14 horas. Tudo começou em 1957, quando Gana, anteriormente conhecida como a Costa do Ouro, conseguiu a independência do Reino Unido e começou a fazer algumas conexões com afro-americanos cujos descendentes já haviam residido na África Ocidental. Wilson Pickett foi escolhido principalmente porque foi um dos poucos artistas cujas gravações foram prontamente disponibilizadas em Gana. O jazz foi representado pelo pianista Les McCann e o saxofonista Eddie Harris, os Staple representaram o gospel, Roberta Flack foi lá cantar o soul e Ike e Tina Turner o funky. Carlos Santana e sua banda foram o únicos artistas brancos embora o baterista Willie Bobo fosse negro. Wilson Pickett recebeu uma recepção retumbante com fãs invadindo o palco. A recepção para os outros foi mais comedida presumivelmente porque ainda não tinham sido ouvidos em Gana antes.

Fora da música, a vida pessoal Pickett foi turbulenta. Os amigos o consideravam temperamental e aficionado por armas. Don Covay descreveu-o como selvagem. Em 1987, a medida que sua carreira discográfica foi decaindo, Pickett recebeu liberdade condicional de dois anos e foi multado por transportar uma arma carregada em seu carro. Em 1991, foi preso por ameaças de morte e no ano seguinte, foi acusado de agredir sua namorada. Em 1993, se envolveu em um acidente em que feriu um pedestre de 86 anos. Pickett se confessou culpado de dirigir embriagado e recebeu uma sentença reduzida de um ano de prisão e cinco anos de liberdade condicional. Vários anos após a sua libertação da prisão, Pickett voltou ao estúdio e recebeu uma indicação ao Grammy com o álbum ‘It's Harder Now’, seu último disco lançado em 1999.

Ao longo da década de 90, apesar de seus problemas pessoais, Pickett foi homenageado continuamente por sua contribuição à música. Além de ser introduzido no Rock and Roll Hall of Fame, sua música foi um destaque especial no filme ‘The Commitments’. Pickett foi também um compositor popular, e músicas que ele escreveu foram gravadas por artistas como Led Zeppelin, Van Halen, The Rolling Stones, Aerosmith, Grateful Dead, Booker T. & the M.G.'s, Gênesis, Creedence Clearwater Revival, Echo & the Bunnymen, Bruce Springsteen, Los Lobos, entre outros. Pickett passou o crepúsculo de sua carreira tocando em dezenas de concertos até 2004, quando ele começou a ter problemas de saúde. Durante o tempo no hospital, voltou à suas raízes religiosas e disse a sua irmã que queria gravar um álbum gospel. No entanto, ele nunca se recuperou. O amigo de longa data de Pickett, Little Richard, falou sobre ele e pregou brevemente no funeral.



Greatest hits (1985)

Tracklist
01. Don't Fight It 02. In the Midnight Hour 03. 634-5789 (Soulsville, U.S.A.) 04. Ninety-Nine and a Half (Won't Do) 05. Land of 1000 Dances 06. Everybody Needs Somebody to Love 07. Mustang Sally 08. Soul Dance Number Three 09. Funky Broadway 10. I'm in Love 11. She's Lookin' Good 12. I Found a True Love 13. I'm a Midnight Mover 14. Man and a Half 15. Hey Jude 16. You Keep Me Hangin' On 17. Sugar, Sugar 18. Don't Let the Green Grass Fool You 19. Get Me Back on Time, Engine Number 9 20. Don't Knock My Love, Pt. 1 21. Mama Told Me (Not to Come) 22. I Found a Love 23. It's Too Late 24. If You Need Me


wilson pickett - mustang sally



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publicado por mara* às 09:47 | link do post | comentar