astor piazzolla

astor piazzollaNão é exagero dizer que Astor Piazzolla é a figura mais importante na história do tango, um gigante do maior produto cultural de exportação da Argentina. Astor é equivalente a Duke Ellington no jazz, o compositor gênio que elevou uma música popular e sensual, e de má reputação, a uma forma sofisticada de arte. Mas, ainda mais do que Duke Ellington, Piazzolla era também um virtuoso com domínio quase inigualável no seu instrumento escolhido, o bandoneon, instrumento inventado pelo músico alemão Heinrich Band, e criado para ser usado na música religiosa e na música popular alemã, em contraste à concertina, que era considerada um instrumento folclórico. No início do século XX, imigrantes alemães levaram o bandoneón para o Río de la Plata, onde ele foi incorporado à música local. O tango, nas mãos de Piazzolla já não era estritamente uma música de dança, suas composições emprestaram formas do jazz e da clássica, criando um novo vocabulário para salas de concertos mais do que para salões de dança e foi chamado de ‘nuevo tango’. Algumas de suas composições eram totalmente experimentais e exigia a concentração da platéia. A complexidade de Piazzolla trouxe-lhe enorme reconhecimento internacional, especialmente na Europa e na América Latina, mas também lhe valeu a inimizade duradoura dos puristas do tango. Muitos o atacaram impiedosamente por seu suposto abandono da tradição e até ajudaram a expulsá-lo do país por vários anos. Piazzolla manteve-se firme até a sua morte em 1992.

Astor Piazzolla nasceu em Mar del Plata, Argentina. Seus pais eram pobres imigrantes italianos que mudaram para Nova York em 1924, proporcionando ao jovem Piazzolla ampla exposição à artistas de jazz como Duke Ellington e Cab Calloway. Seu pai, Vicente ‘Nonino’ Piazzolla, também tocou com os primeiros mestres do tango, especialmente o lendário vocalista e compositor Carlos Gardel, e deu a Astor um bandoneon em seu nono aniversário. Além de aulas sobre esse instrumento que englobava a música norte-americana de Gershwin, bem como o tango, Piazzolla também estudou em 1933, com o pianista húngaro Bela Wilda, o discípulo de Rachmaninoff, e com quem aprendeu a amar Bach. Na mesma época conheceu e tocou com Carlos Gardel, aparecendo no filme ‘El Dia Que Me Quieras’. Em 1935, o adolescente Piazzolla recusou uma oferta para turnê na América do Sul com Gardel, uma decisão fortuita que o manteve fora do trágico acidente aéreo que custou a vida do cantor.

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Em 1936, Piazzolla e família voltaram para Mar del Plata, e sua paixão pelo tango floresceu novamente com o sexteto do violinista Elvino Vardaro. Em 1938, o ainda adolescente Piazzolla mudou para Buenos Aires, à procura de trabalho como músico e conseguiu na orquestra de Anibal Troilo, onde ficou por vários anos. Nesse meio tempo, continuou seus estudos de piano e teoria musical. E começou a compor para Troilo. Em 1944, Piazzolla se tornou líder da orquestra que acompanhava o cantor Francisco Fiorentino, dois anos depois, ele formou seu próprio grupo, tocando tangos tradicionais, mas já com indícios do modernismo. Este grupo se separou em 1949, e Piazzolla procurou uma maneira de substituir o tango por atividades mais refinadas. Ele estudou Ravel, Bartók e Stravinsky, e mergulhou no jazz norte-americano, e trabalhou principalmente em suas habilidades de compositor por alguns anos. Sua peça ‘Buenos Aires’ de 1953 causou um rebuliço pelo uso de bandoneon em um cenário clássico de orquestra.

Em 1954, Piazzolla ganhou uma bolsa para estudar em Paris com a compositora francesa de música erudita e renomada educadora musical Nadia Boulanger, que também ensinou Philip Glass e Quincy Jones entre muitos outros. Nadia encorajou Piazzolla a não ignorar o tango, mas sim, revigorá-lo com a sua formação de jazz e música clássica. Piazzolla voltou para casa em 1955 e imediatamente formou um octeto que tocava tango como música de câmara, ao invés de acompanhamento para cantores e dançarinos. Os uivos de protesto dos tradicionalistas continuaram inabaláveis até 1958, quando Piazzolla dissolveu o grupo e foi para New York onde trabalhou como arranjador e experimentou uma fusão de jazz e tango, e compôs o famoso ‘Adios Nonino’, uma maravilhosa ode a seu pai, recentemente falecido. Retornando a Buenos Aires em 1960, Piazzolla formou o seu primeiro quinteto, o ‘Tango Nuevo’. Ao longo da década, Piazzolla refinou e experimentou, e modificou a estrutura formal do tango ao ponto de ruptura. Em 1965, gravou o seu concerto com a ‘Philharmonic Hall’ de New York, e também musicou um álbum de poemas de Jorge Luis Borges. Em 1967, selou um acordo com o poeta Horacio Ferrer resultando na inovadora opereta ‘Maria de Buenos Aires’, estreada pela cantora Amelita Baltar, que se tornaria mais tarde a sua segunda esposa. Piazzolla e Ferrer produziram uma série de tangos, e seu primeiro hit comercial, ‘Balada para un Loco’ (Ballad of a Madman).

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A década de 70 começou muito bem para Piazzolla, com uma aclamada turnê européia que trouxe a oportunidade de formar um grupo de nove para tocar a sua música exuberante. No entanto, a sua Argentina foi tomada por um governo militar ultra-conservador, e tudo o que Piazzolla simbolizava, requinte e modernidade, transformou-se em uma falta de respeito pela tradição, tornando-se politicamente indesejável. Em 1973, Piazzolla sofreu um ataque cardíaco, e depois de se recuperar, decidiu que, seria mais sábio viver na Itália. Lá, ele formou o grupo ‘Conjunto Electronico’, que colocou o bandoneon na vanguarda. Este período também produziu uma de suas composições mais célebres, ‘Libertango’. Em 1974, gravou um álbum com o saxofonista de jazz Gerry Mulligan chamado ‘Summit’, com o apoio de músicos italianos. Em 1976, em Buenos Aires, foi a estréia da peça ‘500 Motivaciones’. Cansado de música elétrica, Piazzolla formou um novo quinteto em 1978 e excursionou por todo o mundo. Sua reputação cresceu continuamente, tornando-o nos EUA, um excelente candidato durante a mania da world-music dos anos 80. Em 1986, Piazzolla entrou no estúdio com seu quinteto e gravou o que ele considerava o melhor álbum de sua carreira, ‘Tango: Zero Hour’. No mesmo ano, se apresentou no Festival de Jazz de Montreux com o vibrafonista Gary Burton, e em 1987 em um concerto no Central Park de New York.

Infelizmente, no auge de sua fama internacional e tardia na Argentina, sua saúde começou a falhar. Submetido a uma cirurgia recuperou-se bem o suficiente para montar uma turnê internacional em 1989, incluindo o que seria seu último show na Argentina,‘La Camorra’, outra excelente gravação lançada em 1989, mesmo ano em que Piazzolla formou um novo sexteto com dois bandoneons. Em 1990, gravou o álbum ‘Five Tango Sensations’ com o ‘Kronos Quartet’. Infelizmente, não muito tempo depois, Astor Piazzolla sofreu um derrame que o deixou incapaz de tocar ou compor. Quase dois anos depois, ele morreu em sua amada Buenos Aires, deixando para trás um legado monumental como uma das maiores figuras musicais da América do Sul e um compositor importante do século 20.

tangoO Papa Gregório I ajudou a criar uma música para os monges nos mosteiros, para servir como trilha sonora para suas tarefas diárias e orações. Isso ficou conhecido como canto gregoriano. Todo mundo cantava a mesma nota ao mesmo tempo. O canto gregoriano era uma música que nunca iria excitar os sentidos. No século 12 surgiu Pérotin da escola de Paris, que introduziu a polifonia, ou harmonia vocal. De repente, a música tornou-se sensual e foi condenada por inflamar as paixões. Enquanto isso, na Península Ibérica antes da reconquista cristã de 1492, a mistura judaica e cultura moura produziu uma música de sinergia notável e modernidade. No século 15 a dança de escravos congoleses levado à Espanha pelos mouros, foi considerada como sendo uma dança lasciva que promovia a sensualidade e a decadência. E foi condenada no final do século 16 pelo Vaticano. Em seguida uma bula papal foi emitida proibindo a valsa no final do século 19. Depois foi a vez do tango. Historicamente, o Vaticano condenou o tango porque ele pode fazer as pessoas mexerem os quadris e, Deus nos livre, querer beijar e tocar e, talvez, ir ainda mais longe.

A história do tango é interessante. A palavra tango é uma palavra congolesa, referindo-se aos encontros de escravos em New Orleans. O ritmo veio de Cuba, em seguida, viajou para a Europa, depois voltou com os italianos para a Argentina, onde foi direto para os bordéis. O bandoneon foi inventado para as igrejas das aldeias pobres na Alemanha, que não podiam pagar os órgãos de tubos. Da igreja direto para os prostíbulos de Buenos Aires. O tango foi formalmente proibido no início do século 20 pelo Cardeal de Roma. O ministro da Guerra italiano até escreveu um estatuto oficialmente proibindo o tango em toda a Itália. O problema era impor essa proibição aos fãs do tango na Itália. Havia também muitos jovens entre a classe nobre que gostavam de tango. Então, em 1914 eles organizaram uma apresentação para o Papa Pio X. Os dançarinos foram muito cuidadosos e modestos em seus movimentos. E o Papa Pio X apenas riu de uma tendência de moda e disse: ‘Compreendo muito bem que vocês gostem de dançar, estamos em tempo de carnaval e vocês são jovens. Então dancem e divirtam-se. Mas por que adotar as contorções ridículas e bárbaras de pessoas negras e indígenas? Porque não escolher uma dança agradável de Veneza?’ E assim, a proibição papal sobre o tango foi levantada.

E com a chegada de Gardel, Piazzolla, e outras grandes orquestras e dançarinos durante a década de 20 o tango cresceu e cresceu da Argentina para o mundo. O grande Astor Piazzolla revigorou o interesse pelo tango. Na Finlândia e no Japão, tornou-se uma dança social para os solteiros tímidos que desejassem sair de suas conchas. E para todos, é uma das danças mais atraentes, intensas e apaixonadas.

astor piazzolla - muerte del angel


the history of tango! (2006)

The History of Tango! (2006)
CD 1    CD 2    CD 3    CD 4    CD 5

CD 1: Astor Piazzolla
01. Adios Nonino 02. Biyuya 03. Lunfardo 04. Escualo 05. Invierno Porteno 06. Caliente 07. Revirado 08. Decarismo 09. Fracanapa 10. Milonga Del Angel 11. Muerte Del Angel 12. Resurreccion Del Angel

CD 2: Astor Piazzolla
01. El recodo 02. El desbande 03. La rayuela 04. Orgullo criollo 05. Inspiracion 06. El rapido 07. Ahi va el dulce 08. El milagro 09. El pillete 10. Se armo 11. Quejas de bandoneon 12. Todo corazon 13. Taconeando 14. Chiclana 15. De mi bandoneon 16. Tierra querida 17. Villeguita 18. Tiernamente 19. Tu palido final 20. Tapera

CD 3: Astor Piazzolla
01. Commo Abrazado A Un Rencor 02. Che Bartolo 03. Solo Se Quiere Una Vez 04. Haragan 05. Cargamento 06. Se Fue Sin Decirme Adios 07. Ojos Tristes 08. Pigmalion 09. Adios Marienerbo 10. Cafetin De Buenos Aires 11. Republica Argentina 12. Marron Y Azul 13. Los Mareados 14. Neotango 15. El Marne 16. El Entrerriano 17. Tangology 18. Arrabal 19. A Fuego Lento 20. Libertango

CD 4: The History of Tango Vol.1
01. La Cumparsita 02. La Yumba 03. Tomo Y Obligo 04. La Tablada 05. La Rayuela 06. El Apache Argentino 07. El Entrerriano 08. El Choclo 09. Volver 10. Recuerdo 11. El Pial 12. Boedo 13. El Portenito 14. Chique 15. Tango Argentino 16. Milonga De Mis Amores 17. El Rodeo 18. El Monito 19. La Punalada 20. Cachirulo 21. Sans Soucis 22. Bandoneon Arrabalero 23. La Morocha 24. Flor De Tango 25. Tierra Querida

CD 4: The History of Tango Vol.2
01. Milonga Sentimetal 02. A La Gran Muneca 03. Milongueando En El 40 04. Derecho Viejo 05. El Remate 06. Saludos 07. Mi Buenos Aires Querido 08. Di Pura Cepa 09. Vengan Muchachos 10. El Arranque 11. Por Una Cabeza 12. Guapeando 13. El Taita 14. Amurado 15. Bahia Blanca 16. Mi Noche Triste 17. Parlo 18. Mal De Amores 19. Adios Bardi 20. La Cancion De Buenos Aires 21. La Maleva 22. El Baqueano 23. El Tabano 24. Secreto 25. Cordon De Oro

publicado por mara* às 01:03 | link do post | comentar