the color purple

 the color purple movieEm 1964 foi nomeado vice-presidente da gravadora ‘Mercury Records’, o primeiro negro a atingir um cargo executivo em uma companhia de brancos. No mesmo ano, Quincy Jones voltou sua atenção para outra área musical há muito fechada para os negros, o mundo das trilhas sonoras de filmes. Sua estréia como executivo no cinema veio em 1985, quando co-produziu ‘The Color Purple’. O filme, traduzido no Brasil como ‘A Cor Púrpura’, para o qual Jones compôs a trilha é uma adaptação do romance epistolar, livro escrito usando-se uma técnica literária que consiste em desenvolver a história principalmente através de cartas, da premiada escritora Alice Walker. O romance foi premiado com o ‘Pulitzer’ e trata de questões de discriminação racial e sexual e deu origem a um dos mais belos filmes de Steven Spielberg, o conceituado criador de grandes êxitos, que tornou ‘The Color Purple’ num dos seus mais notáveis sucessos, um filme que ganhou o prêmio de melhor filme da ‘National Board of Review’ e apareceu nas listas dos dez melhores em todo o mundo.

quincy jonesNa obra a personagem escreve cartas a Deus e à irmã desaparecida, com sensibilidade e talento Waker mostra representações de uma jovem negra sulista, quase analfabeta que vive em uma realidade dura de pobreza, opressão e desamor. Em 1909, em uma pequena cidade, Celie (Whoopi Goldberg), uma jovem com apenas 14 anos, violentada pelo pai, se torna mãe pela segunda vez. Além de perder a capacidade de procriar, Celie imediatamente é separada dos filhos e da única pessoa no mundo que a ama, sua irmã, e é doada a ‘Mister’(Danny Glover), que a trata simultaneamente como escrava e companheira. Grande parte da brutalidade de Mister é devida a uma forte paixão por Shug Avery (Margaret Avery), uma sensual cantora de cabaré. Tina Turner chegou a ser convidada para interpretar a personagem Shug Avery, mas recusou o papel. Celie em seu mundo de solidão, compartilha sua tristeza em cartas, a única forma de manter a sanidade em um mundo onde poucos a ouvem, primeiramente com Deus e depois com a irmã Nettie (Akosua Busia), missionária na África. Mas quando Shug, aliada à forte Sofia (Oprah Winfrey), esposa de Harpo (Willard E. Pugh), filho de Mister, entram na sua vida, Celie revela seu espírito brilhante, ganhando consciência do seu valor e das possibilidades que o mundo lhe oferece.



Cellie representa todas as mulheres que vivem na sombra de maridos dominadores. É uma alma cheia de anseios e sentimentos que luta com suas armas sutis para manter a sua dignidade. A mulher é o negro do mundo, escreveu John Lennon. E a Celie criada pela feminista Alice Walker é a escrava mais escrava que se poderia conceber, em uma sociedade extremamente machista, racista, classista. Shug Avery é o que Celie jamais pôde ser: bonita, atraente, sensual, alegre e sobretudo livre. A trajetória de Celie da escravidão para a luz passa necessariamente por seu amor por Shug Avery, é com ela que Celie aprende o prazer do sexo, assim como aprende a ter vontade de se libertar da opressão do marido.

alice walkerA escritora Alice Malsenior Walker nasceu em Eatonton, Georgia, EUA. De origem africana, filha de agricultores, ela perdeu a visão de um dos olhos aos 8 anos de idade, num acidente. Walker iniciou sua carreira de escritora com ‘Once’, um volume de poesias, alcançou fama mundial com ‘The Color Purple’ e escreveu também o livro ‘In Love and Trouble: Stories of Black Women’ uma obra belíssima que é composta pelas vozes de várias mulheres negras do sul dos EUA com seus temores, desafios e sonhos. Walker sempre foi uma ativista pelos direitos dos negros e das mulheres, destacando-se na luta contra o apartheid e contra a mutilação genital feminina em países africanos. Na década de 1990, manteve um relacionamento amoroso com a cantora Tracy Chapman.

tata vegaMusicalmente, ‘The Color Purple’ é também um deslumbramento do início ao final e sua não premiação, perdendo para John Barry com ‘Out of Africa’, foi uma das 11 injustiças cometidas contra o filme de Spielberg. A própria canção-tema, ‘Miss Celie's Blues’, parceria de Quincy, Rod Temperton e Lionel Ritchie, mereceria também o Oscar dado a Lionel Ritchie, mas por sua canção ‘Say You, Say Me’, do filme ‘White Nights’. ‘Miss Celie's Blues’, uma confissão do amor de uma mulher por outra, é o grande e enternecedor tema, na voz poderosa de Tata Vega, excelente cantora de blues, mas ainda desconhecida do grande público. Dublando a personagem Shug Avery, Tata é a intérprete de várias faixas, nesta trilha esplêndida que junta desde um reverencial tema de 57 anos passados, ‘Dirty Dozens’ de 1929, a work song ‘J. B. King’, canção dos construtores de ferrovias nos EUA, temas africanos, para as seqüências feitas no Kenia como a profunda ‘Katutoka Corrine’(Caiphus Semenya) além de uma homenagem a Coleman Hawkins, com a inclusão do clássico ‘Body And Soul’ numa gravação original de 1939.

Soundtrack - The Color Purple (1985)

The Color Purple (1985)
CD 1    CD 2

Tracklist CD 1
01. Overture: Miss Celie's Blues (Sister) 02. Main Title 03. Celie Leaves With Mr. 04. Corrine and Olivia 05. Nettie Teaches Celie 06. Separation 07. Celie and Harpo Grow up/Mr. Dresses to See Shug 08. Careless Love 09. Sophis Leaves Harpo 10. Celie Cooks Shug Breakfast 11. Junk Bucket Blues 12. Dirty Dozens 13. Miss Celie's Blues (Sister) 14. Don't Make Me No Never Mind 15. My Heart (Will Always Lead Me Back to You) 16. Three on the Road 17. Bus Pulls Out

Tracklist CD 2
01. First Letter 02. Letter Search 03. Nettie's Letters 04. High Life/Proud Theme 05. King J.B. 06. Heaven Delongs to You 07. Katutoka Corrine 08. Celie Shaves Mr. /Scarification Ceremony 09. I'm Here 10. Champagne Train 11. Celie's New House/Body and Soul 12. Maybe God Is Tryin' to Tell You Somethin' 13. Reunion/Finale

publicado por mara* às 01:08 | link do post | comentar