chet baker

chet bakerChesney Henry Baker Jr. nasceu em 1929 e foi criado em uma fazenda de Oklahoma. Morreu em 1988 ao cair da janela de um hotel em Amsterdã. A causa do acidente tem duas versões: suicídio ou excesso de drogas. O que dá no mesmo. Foi um trompetista de jazz. Na infância, começou a cantar na igreja e ganhou um trompete do pai, guitarrista amador de bandas de country, de quem herdou a paixão pela música. Aos 17 anos, acrescentou um ano em seus documentos e alistou-se no Exército. Sendo transferido para Berlim começou a tocar em bandas militares. É nesse período que ouve jazz pela primeira vez, pela rádio do exército. Ao sair do exército parte para Los Angeles e começa a estudar teoria musical. Iniciou a sua carreira de sucesso com Charlie Parker quando este estava à procura de um trompetista para acompanhá-lo em sua turnê pelos Estados Unidos e Canadá. Baker tinha grande afeição por Charlie Parker, por sua gentileza, honestidade e pela maneira como protegia os músicos da banda, tentando mantê-los longe da heroína que tanto lhe corroia. Amante do jazz, Baker não tardou em conquistar o sucesso, sendo apontado como um dos melhores trompetistas do gênero. Em seguida, entrou para o ‘Gerry Mulligan Quartet’, que criou o estilo ‘west coast’, um estilo de jazz mais calmo, menos frenético cujas músicas caracterizavam-se por composições mais elaboradas. Tempos depois, Chet conquistou um novo público ao lançar-se como cantor, à frente do próprio quarteto. Sua versão de 'My Funny Valentine' com Mulligan é clássica.

chet baker & miles davisChet Baker & Miles Davis

Apesar do sucesso, sua vida ia de mal a pior, com seguidas detenções por porte de heroína. Na Itália, onde morou nos anos 60, passou mais de um ano preso. O vício deteriorou sua reputação nos Estados Unidos, embora ele ainda fosse aclamado na Europa. Em 1964 volta aos EUA, agora dominados pelo rock dos Beatles, restando pouco espaço para os músicos de jazz. Nessa mesma época perdeu diversos dentes em conseqüência de um briga em uma negociação de heroína. Chet Baker desceu ao inferno. No início da carreira, encantava as mulheres pela beleza e o canto suave. Vinte anos depois, com o rosto sulcado pela devastadora dependência de drogas, o outrora belo e jovem trompetista aos quarenta anos parecia estar com sessenta, e aos cinqüenta parecia ter oitenta. A vasta obra do músico é dividida em duas fases: a cool, do início da sua carreira, mais ligada ao virtuosismo jazzístico e a segunda parte, quando a sensibilidade na interpretação torna-se ainda mais evidente. Chet Baker gostava também de cantar, com sua voz pequena e frágil criando um modo de cantar no qual a voz era quase sussurrada, influenciando assim a bossa nova. Avesso às partituras, Baker era dotado de extrema criatividade, para tocar as músicas pedia apenas o tom, improvisava com sentimento e paixão. Vale a pena conferir Chet Baker Tribute

chet baker - this I always


    

Chet (1959)    |    Almost Blue (2002)

Chet
Personnel: Chet Baker (trumpet); Pepper Adams (baritone saxophone); Herbie Mann (flute); Bill Evans (piano); Kenny Burrell (guitar); Paul Chambers (bass); Connie Kay, Philly Joe Jones (drums)
Tracklist: 01. Alone Together 02. How High the Moon 03. It Never Entered My Mind 04. 'Tis Autumn 05. If You Could See Me Now 06. September Song 07. You'd Be So Nice To Come Home To 08. Time On My Hands (You In My Arms) 09. You And The Night And The Music 10. Early Morning Mood - (bonus track)

Almost Blue
(Recorded at Club ‘Le Dreher’, Paris, 1984)
01. This Is Always 02. Sweet Martine 03. Beatrice 04. Deep In A Dream 05. Once I Loved
(Recorded in Tokyo,1987)
06. My Funny Valentine 07. I'm A Fool To Want You 08. Almost Blue

    

The Best of Chet Baker Sings (1989)    |    Let's Get Lost (Best of) (2008)

The Best of Chet Baker Sings
01. The Thrill Is Gone 02. But Not For Me 03. Time After Time 04. I Get Along Without You Very Well 05. There Will Never Be Another You 06. Look For The Silver Lining 07. My Funny Valentine 08. I Fall In Love Too Easily 09. Daybreak 10. Just Friends 11. I Remember You 12. Let's Get Lost 13. Long Ago (And Far Away) 14. You Don't Know What Love Is 15. That Old Feeling 16. It's Always You 17. I've Never Been In Love Before 18. My Buddy 19. Like Someone In Love 20. My Ideal

Let's Get Lost (Best of)
01. Let's Get Lost 02. You Don't Know What Love Is 03. But Not For Me 04. Time After Time 05. There Will Never Be Another You 06. Look For The Silver Lining 07. My Funny Valentine 08. I Fall In Love Too Easily 09. That Old Feeling 10. Sad Walk 11. Summertime 12. Lover Man 13. These Foolish Things 14. I'll Remember April 15. Maid In Mexico 16. Easy To Love 17. Band Aid 18. Happy Little Sunbeam 19. Line For Lyons 20. Freeway 21. Cherry 22. Festive Minor

The Lighthouse All Stars (1953)
Chet Baker & Miles Davis

The Lighthouse All Stars
Personnel: Chet Baker (trumpet); Miles Davis (trumpet); Rolf Ericson (trumpet); Jimmy Giuffre (clarinete); Bud Shank (sax alto); Bob Cooper (sax tenor); Russ Freeman, Lorraine Geller & Claude Williamson (piano); Max Roach (drums)
Tracklist:
01. At Last 02. Winter Wonderland 03. Loaded 04. I’ll Remember April 05. Pirouette 06. Witch Doctor 07. ’Round Midnight 08. Infinity Promenade 09. A Night in Tunisia



 let's get lost movieNo documentário ‘Let's Get Lost’, Bruce Weber parece que quis parar o tempo, preservando a ilusão de que nada de trágico aconteceu a Chet Baker desde o início dos anos 50. No álbum composto especialmente para o documentário, na companhia de Frank Strazzeri no piano, John Leftwich no baixo, Ralph Penland na bateria e percussão e Nicola Stilo na guitarra e flauta, nas músicas de Duke Ellington & Billy Strayhorn, Cole Porter, Johnny Burke & Jimmy VanHuesen e Antonio Carlos Jobim, o talento musical de Chet Baker é indiscutível, e estas gravações são um testemunho incrível disso. Cada uma delas é filtrada através do coração e alma de Chet Baker. Há momentos em que parece que ele está pendurando nas notas e carinhosamente acaricia cada canção. A intimidade que ele é capaz de expressar faz parecer que estamos em um mal iluminado clube de jazz. Os músicos são perfeitos em seu apoio e a voz de Baker é o centro de cada arranjo, e não há dor tão clara quanto a expressa na sua voz sussurrada.

O fotógrafo Bruce Webber resgatou Baker e na companhia de fantásticos músicos gravou 12 antológicas canções para um dos mais importantes documentários sobre o famoso representante do cool jazz e do west coast. Weber mostra que Chet Baker mesmo corroído pelo uso contínuo de drogas, era um gênio. Feito em 1988, Weber traça a carreira de Chet a partir da década de 50, tocando com grandes nomes do jazz como Charlie Parker, Gerry Mulligan e o pianista Russ Freeman, até a década de 80, quando seu vício em heroína manteve-o na Europa. Através da justaposição dessas duas décadas, entre clips de arquivamento e imagens de 1987, Weber apresenta um contraste acentuado entre o Baker bonito e sexy que se assemelhava a uma mistura de James Dean e Jack Kerouac e em que ele se tornou: uma triste figura destruída. ‘Let's Get Lost’ começa perto do final da vida de Baker, nas praias de Santa Monica, e termina no Festival de Cannes.

Bruce Weber

Bruce Weber

Bruce Weber aos 16 anos se interessou por Chet Baker quando viu a foto do músico na capa do LP de vinil de 1955 em uma loja de discos de Pittsburgh. Pessoalmente, Weber conheceu Baker, no inverno de 1986 em um clube de jazz na cidade de Nova York e convenceu-o a fazer uma sessão de fotos e o que foi originalmente um filme de três minutos. Eles estiveram um bom tempo juntos e Baker começou a revelar-se a Weber. Posteriormente, Baker foi convencido a fazer mais um filme e as filmagens começaram em 1987. Entrevistar Baker foi um desafio para Weber devido ao vício, mas Weber conseguiu um retrato sonhador de Chet Baker. ‘Let's Get Lost’ teve sua estréia mundial no ‘Festival Internacional de Toronto’ e foi indicado para o Oscar de melhor documentário. O título do filme é de uma canção gravada no álbum ‘Chet Baker Sings and Plays’, o primeiro álbum de Chet Baker que o diretor Bruce Weber comprou quando tinha 16 anos.

Um dos últimos registros de Baker em vida, que foi lançado pouco depois de sua morte, o documentário é difícil de se ver, é devastador testemunhar o que a heroína fez. Nos últimos anos ele era apenas um rascunho do que foi. Seu rosto está cadavérico e ele sempre parece ter alguma dificuldade em permanecer acordado, e em alguns momentos parece que ele passeia por ‘Let's Get Lost’ como um sonâmbulo. Para os críticos Chet morrera décadas antes daquele fatal mergulho da janela de seu quarto em Amsterdã. Até hoje ninguém sabe como ele morreu, se foi suicídio, assassinato ou delírios causados pela droga. Para os fãs, como eu, a voz e o trompete de Chet, mesmo decadente, sempre remeterão a um clima sofisticado e intimista. E eu teimo em querer guardar aquele Chet Baker no seu auge, como uma imagem estranhamente espectral, como alguém preso em um bloco de gelo.


chet baker


soundtrack - let's get lost (1989)

Let’s Get Lost (1989)
(soundtrack)

Tracklist
01. Moon & Sand 02. Imagination 03. You´re My Thrill 04. For Heaven´s Sake 05. Every Time We Say Goodbye 06. I Don´t Stand A Ghost Of A Chance With You 07. Daydream 08. Zingaro 09. Blame It On My Youth 10. My One And Only Love 11. Everything Happens To Me 12. Almost Blue

let’s get lost

Let's Get Lost
(vídeo clip)

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publicado por mara* às 18:08 | link do post | comentar