michael bloomfield

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the paul butterfield blues band

michael bloomfieldMichael Bloomfield foi um dos primeiros grandes guitarristas de blues da América branca, ganhando reputação na banda de Paul Butterfield. Agraciado por uma técnica prodigiosa ele também seguiu carreira solo, com resultados variáveis. Desconfortável com o tratamento dado de herói da guitarra, Bloomfield tendia a ficar longe dos holofotes. Depois de passar apenas alguns anos sob as suas luzes, ele manteve uma carreira de menor visibilidade durante os anos 70 devido à sua aversão à fama e o vício acentuou essa aversão. Michael Bloomfield Bernard e seu irmão Allen nasceram e cresceram em Chicago em uma abastada família judia. Filhos de um rico industrial que fez fortuna na fabricação e venda de equipamentos para restaurantes. Bloomfield e seu pai nunca tiveram uma estreita relação. Solitário, tímido e desajeitado ele se interessou pela música através das estações de rádio do Sul, que ouvia à noite, o que lhe deu uma fonte regular de rockabilly, R&B e blues. Ele recebeu sua primeira guitarra em seu ‘b'nai mitzvá’, nome dado à cerimônia que insere o jovem judeu como um membro maduro na comunidade judaica.

Quando adolescente Bloomfield saia furtivamente da casa de seus pais, com a ajuda das empregadas domésticas, para visitar os clubes de blues no lado sul de Chicago. Foi lá que ele e seus amigos de escola conheceram Muddy Waters, o vocalista e guitarrista Big Joe Williams, o gaitista Little Walter, bem como o futuro gaitista Charlie Musselwhite, o vocalista e produtor Nick Gravenites, e o gaitista e bandleader Paul Butterfield. Bloomfield, por vezes, pulava no palco para uma jam com os músicos o que o tornou conhecido. Consternado com a volta a uma escola privada na Costa Leste em 1958 ele finalmente se formou em uma escola para jovens problemáticos de Chicago. Por esta época, ele abraçou a subcultura beatnik, freqüentando lugares perto da Universidade de Chicago e conseguiu emprego como gestor de um clube popular e frequentemente tocava guitarra com os veteranos do blues e com várias bandas diferentes. Seu estilo de tocar recebeu influências dos mestres da guitarra elétrica de Chicago: Muddy Waters, Rush Otis e Buddy Guy. E logo se tornou um guitarrista experiente, e começou a tocar em bandas de bailes na Universidade de Chicago.

mike bloomfield - the group

‘The Group’ (Columbia Recording Studio, Chicago - 1964)

Em 1964, Bloomfield foi descoberto pelo lendário produtor musical John Hammond, que o contratou para a CBS, e gravou algumas sessões com sua banda chamada ‘The Group’ que incluia Charlie Musselwhite. No entanto, depois de várias gravações inéditas a gravadora não sabia como comercializar um guitarrista de blues americano branco. No começo de 1965, Bloomfield juntou-se à banda de Paul Butterfield, uma banda racialmente integrada. Individualmente, o trabalho de Bloomfield foi aclamado como uma ponte entre o Chicago blues e o rock contemporâneo. Mais tarde, em 1965, chegou à fama como guitarrista convidado por Bob Dylan com o single, ‘Like a Rolling Stone’, no inovador álbum, ‘Highway 61 Revisited’, de 1965, o primeiro álbum de Dylan a ser gravado inteiramente com uma banda de rock. E também foi destaque no ‘Newport Folk Festival’. Nesse meio tempo, Bloomfield estava desenvolvendo interesse pela música oriental, especialmente a indiana, que influenciou no álbum ‘East-West’, o segundo do ‘The Butterfield Blues Band’, um álbum que fundiu blues, jazz, world music, rock psicodélico e de uma forma sem precedentes. A banda se tornou a favorita na emergente cena musical de San Francisco e, em 1967, Bloomfield deixou o grupo permanentemente e foi buscar novos projetos.

michael bloomfield - paul butterfield blues band    bob dylan & bloomfied

'The Butterfield Blues Band’| Bob Dylan e Michael Bloomfield

Bloomfield rapidamente formou uma nova banda chamada ‘Electric Flag’ com Nick Gravenites nos vocais, o organista Barry Goldberg, o baixista Harvey Brooks e o baterista Buddy Miles; e com uma seção de metais, o que permitiu ao grupo adicionar música soul à sua longa lista de influências. O ‘Electric Flag’ estreou no ‘Monterey Pop Festival’ em 1967 e lançou o primeiro álbum ‘A Long Time Comin'’ em 1968. Os críticos elogiaram o som do grupo qualificando-o como intrigante. Infelizmente, a banda já estava se desintegrando devido a rivalidade entre os membros e a péssima gestão, para não mencionar o abuso de heroína. Bloomfield deixou a banda que ele formou antes do álbum ser lançado. Em seguida ligou-se ao organista Al Kooper, com quem havia tocado na banda de Dylan, e lançaram o álbum ‘Super Session’ que destacou suas habilidades e as de Stephen Stills do outro lado. Emitido em 1968, o álbum recebeu excelentes críticas e, além disso se tornou o álbum mais vendido na carreira de Bloomfield. O sucesso de ‘Super Session’ levou ao ‘The Live Adventures of Mike Bloomfield and Al Kooper’, gravado ao longo de três shows e com estréia de Bloomfield cantando.

michael bloomfield - electric flag

'Electric Flag'
da esquerda para a direita: Nick Gravenites, Marcus Doubleday, Mike Bloomfield (com a bandeira americana na mão), Harvey Brooks, Buddy Miles, Barry Goldberg e Peter Strazza

Bloomfield, no entanto, foi cauteloso com o sucesso comercial e o crescente desencanto com a fama já era evidente. Ele também estava cansado das turnês e depois da gravação do segundo álbum com Kooper, ele se aposentou por um tempo. No entanto, continuou como guitarrista de sessão e produtor, e também começou a compor para trilhas sonoras de filmes, incluindo alguns filmes pornográficos, e ocasionalmente, excursionou com ‘Bloomfield and Friends’, que incluia Nick Gravenites e Mark Naftalin. Além disso, retornou ao estúdio em 1973 para uma sessão com John Hammond e o pianista de New Orleans, Dr. John; o resultado, ‘Triumvirate’, foi lançado pela Columbia, mas não fez muito sucesso. Durante o final dos anos 70, continuou a gravar álbuns solo de desigual qualidade para vários rótulos menores, geralmente em ambientes predominantemente acústicos. Destes, ‘If You Love These Blues, Play ‘Em as You Please’ lançado em 1976, é considerado o melhor. Produzido pela revista ‘Guitar Player’ como um álbum de instrução sobre os vários estilos de tocar guitarra blues foi indicado ao prêmio Grammy.

Infelizmente, Bloomfield também estava atormentado pelo alcoolismo e pelo vício em heroína durante a maior parte dos anos 70, o que fez dele uma figura pouco confiável e, que lentamente, custou-lhe algumas de suas associações musicais de longa data, assim como seu casamento. Em 1980, aparentemente, ele tinha se recuperado o suficiente para uma turnê na Europa; no final deste mesmo ano, ele também apareceu no palco em San Francisco com Bob Dylan para uma interpretação de ‘Like a Rolling Stone’. No entanto, em 1981, Bloomfield foi encontrado morto em seu carro de uma overdose de drogas, com apenas 37 anos. Em 2003, foi classificado em 22º pela revista ‘Rolling Stone’ entre os 100 maiores guitarristas de todos os tempos.

michael bloomfield - goin down slow


michael bloomfield - don't say that I ain't your man! (1994)    michael bloomfield - I'm cutting out (1964-1965)    michael bloomfield - If You Love These Blues (2004)

Don't Say That I Ain't Your Man! (1994)
(Essential Blues 1964-1969)

Tracklist
01. I've Got You In The Palm Of My Hand 02. Last Night 03. Feel So Good 04. Goin Down Slow 05. I Got My Mojo Working 06. Born In Chicago 07. Work Song 08. Killing Floor 09. Alberts Shuffle 10. Stop 11. Mary Ann 12. Dont Throw Your Love On Me So Strong 13. Dont Think About It Baby 14. It Takes Time 15. Carmelita Skiffle

I'm Cutting Out (2001)

Personnel: Michael Bloomfield (guitar and vocals); Charlie Musselwhite (harmonica); Mike Johnson (guitar); Sid Warner (bass); Norman Mayell (drums); Brian Friedman (piano)
Tracklist: 01. I Got My Mojo Working 02. I Feel So Good 03. Goin’ Down Slow 04. I’ve Got You In The Palm Of My Hand 05. The First Year I Was Married 06. I’m Cutting Out 07. Lonesome Blues 08. I Got My Mojo Working 09. Last Night 10. I Feel So Good

If you love these blues Play 'Em As You Please (2004)

Tracklist:
01. If You Love These Blues 02. Hey, Foreman 03. Narrative #1 04. WDIA 05. Narrative #2 06. Death Cell Rounder Blues 07. Narrative #3 08. City Girl 09. Narrative #4 10. Kansas City Blues 11. Narrative #5 12. Mama Lion 13. Narrative #6 14. Thrift Shop Rag 15. Narrative #7 16. Death in My Family 17. East Colorado Blues 18. Blue Ghost Blues 19. Narrative #8 20. The Train Is Gone 21. Narrative #9 22. The Alter Song 23. I'll Overcome 24. I Must See Jesus 25. Great Dreams from Heaven 26. Gonna Need Somebody on My Bond 27. I Am a Pilgrim 28. Just a Closer Walk With Thee 29. Have Thine Own Way 30. Farther Along 31. Peace in the Valley

‘Super Session’ é um álbum imaginado por Al Kooper com Mike Bloomfield e Stephen Stills, que não tocam juntos no álbum, Bloomfield toca da primeira a quinta faixa, e Stills da sexta a nona, as três últimas são faixas bônus. O disco foi habilmente enriquecido com a seção rítmica poderosa de Harvey Brooks (baixo) e Hoh Eddie (bateria), bem como Barry Goldberg (piano elétrico) em ‘Shuffle Albert’ e ‘Stop’.

‘The Live Adventures Of Mike Bloomfield & Al Kooper’ foi gravado em setembro de 1968 no ‘Fillmore East ‘, uma casa de shows mantida pelo empresário de rock Bill Graham durante o final dos anos 60 e começo dos 70 na Second Avenue, New York. Funcionou de 1968 a 1971, sendo palco para os concertos dos maiores astros de rock da época. Era casa-irmã do Fillmore Auditorium (posteriormente renomeado para Fillmore West), que Graham mantinha em sua base de operações, São Francisco, Califórnia. O álbum contém várias releituras de clássicos do rock e do blues, e algumas músicas de autoria da dupla. Carlos Santana acompanhou a dupla nesse disco.

‘Fillmore East: The Lost Concert Tapes 13-12-68’, também gravado no ‘Fillmore East’ só foi lançado em 2003 e teve a participação especial de Johnny Winter em ‘It's My Own Fault’.

Super Session (1968)    Live Adventures of Michael Bloomfield & Al Kooper (1968)    Fillmore East: The Lost Concert Tapes 12-13-68

Super Session (1968)

Personnel: Mike Bloomfield (guitarra); Al Kooper (vocal, piano, orgão); Stephen Stills (guitarra); Barry Goldberg (piano em ‘Albert's Shuffle’ e ‘Stop’); Harvey Brooks (baixo); Eddie Hoh (bateria)
Tracklist: 01. Albert's Shuffle 02. Stop 03. Man's Temptation 04. His Holy Modal Majesty 05. Really 06. It Takes a Lot to Laugh, It Takes a Train to Cry 07. Season of the Witch 08. You Don't Love Me 09. Harvey's Tune 10. Albert's Shuffle 11. Season of the Witch 12. Blues for Nothing 13. Fat Grey Cloud [live]

The Live Adventures of Michael Bloomfield & Al Kooper (1968)
CD 1    CD 2

Personnel: Mike Bloomfield (guitarra); Al Kooper (orgão, piano); John Kahn (baixo); Skip Prokop (bateria); Carlos Santana (guitarra); Elvin Bishop (guitarra)
Tracklist CD 1: 01. Opening Speech 02. The 59th Street Bridge Song (Feelin' Groovy) 03. I Wonder who 04. Her Holy Modal Highness 05. The Weight 06. Mary Ann 07. Together 'til the End of Time 08. That's All Right 09. Green Onions
Tracklist CD 2: 01. Opening Speech 02. Sonny Boy Williamson 03. No more Lonely Nights 04. Dear Mr. Fantasy 05. Don't Throw your Love on Me so Strong 06. Finale-Refugee

Fillmore East: The Lost Concert Tapes 12-13-68 (2003)

Personnel: Michael Bloomfield (vocal, guitarra); Al Kooper (vocal, piano, orgão); Johnny Winter (vocal, guitarra); Paul Harris (piano); Johnny Cresci (bateria)
Tracklist
01. Introductions 02. One Way Out 03. Mike Bloomfield's Introduction of Johnny Winter 04. It's My Own Fault 05. 59th Street Bridge Song (Feelin' Groovy) 06. (Please) Tell Me Partner 07. That's All Right Mama 08. Together Till the End of Time 09. Don't Throw Your Love on Me So Strong 10. Season of the Witch

publicado por mara* às 10:49 | link do post | comentar